2000 ESPANHA.

I.                   01 De Outubro de 2015 21:48, Apresentação de 2000, Hispânia, Península Ibérica de Portugal, Espanha e Andorra.

No já distante ano de 2000, segundo o calendário Gregoriano instituído em 1582 pela bula papal Inter Gravissimas, eu, a minha esposa Ana Maria, a minha filha Andreia e a minha irmã Paula, empreendemos uma viagem libertos de quase todas e quaisquer amarras que uma viagem pelo Mundo possa acarretar. Escolhemos um determinado destino e um determinado percurso. Cidade, praia e campo. Não reservámos previamente nenhum alojamento e muito menos algum local onde nos fosse servida qualquer refeição. Não tínhamos itinerário rígido, sabíamos data da partida, mas não a da chegada. Fomos de carro e não fazíamos a mínima ideia onde se localizariam as estações de abastecimento ao longo do caminho que iríamos percorrer. Apenas duas amarras: o nosso carro e um budget, plafon financeiro, que supostamente nos permitiria durante alguns dias ir, ver e vencer, sem passarmos fome ou dormir ao relento se fosse caso disso. Como anteriormente disse, fomos de carro. Fomos e viemos. Um Opel Corsa. Já com uns anitos em cima mas que se portou como um verdadeiro garanhão do asfalto. Hoje, quinze anos depois, confesso que a viagem deu trabalho, por vezes ocupou tempo não previsto, chatices e aborrecimentos. Mas a sensação de liberdade que nos deu compensou tudo e mais alguma coisa. Hoje, quinze anos depois, escrevo sobre viagens e imagino coisas. Hoje, quinze anos depois, está na hora voltar a entrar mentalmente no Opel Corsa e escrever sobre esta viagem para que mais tarde não restem dúvidas de que se tratou da única viagem em que realmente nós fomos livres como só os livres de espírito o são. A viagem? Entrem dentro do Opel e venham daí. A propósito: aquando da viagem dei-lhe o nome de Hispânia. Mas hoje, 15 anos depois da viagem penso que é mais correto ela se chamar de 2000, Hispânia, Península Ibérica de Portugal, Espanha e Andorra. Entrem e fechem a porta.

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II.                   21 De Agosto de 2000, Da Sobreda a Viana do Castelo.

“ó meu amor de algum dia

havemos de ir a Viana

se o meu sangue não me engana

havemos de ir a Viana.”

(extrato do fado Havemos de ir a Viana, de Amália Rodrigues, fadista lusa, 1920-1999)

21 De Agosto de 2000. 05h51m da manhã, chave na ignição do Opel Corsa, “vrum vrum”, e aí vamos nós os quatro, saindo da Sobreda, pelo IC 20, em direcção a Lisboa. Passagem rápida sobre a Ponte 25 Abril. Um olhar de soslaio ao Tejo e atravessamos Lisboa. À velocidade de cruzeiro, com vozes mudas e duas horas depois, pelas 07h50 e já em plena A1, fazemos a primeira paragem técnica na área de serviço de Santarém: gasolina para o carro e cafés para nós. A próxima paragem, técnica, claro, foi pelas 09h05m e também numa área de serviço. Na Mealhada. Pelas 10h25m lá chegámos á capital da Província do Douro Litoral e da Região Entre Douro e Minho: a Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto, situada no Noroeste de Portugal. Sem nos determos e dez minutos mais á frente já em plena A28, aparece-nos, á nossa esquerda, Matosinhos e o porto de Leixões. A hora e a ordem são de seguir, sempre em frente, para o Norte e pelo IC1. E ao bater das 12h57 chegamos á cidade da padroeira de Nossa Senhora da Agonia, a cidade de Viana do Castelo. De salientar que os locais também se referem á sua cidade como Viana do Minho. Dizem que é para não fazer confusão. É que há muitas Vianas, mas do Minho só há uma: a do Foz do Lima e mais nenhuma. Estacionamos o carro, na cidade e degustamos o almoço trazido de casa. Sim, malta. Nós somos dos que carregam sempre o farnel de casa às costas. Viajar é uma coisa. Saber viajar é outra totalmente diferente. Quem vai para o mar avia-se em terra. Depois de umas visitas pelas lojas de artesanato e gastronomia local as que mais nos encheram o olho foram as lojas de ourivesaria com as aclamadas e famosas filigranas de ouro de Viana. A mais conhecida e icónica de todas: o Coração de Viana em filigrana.

Foto nº 05, do álbum de viagens 2000 Espanha, Tarde de 21 de Agosto de 2000, no Miradouro do Templo de Santa Luzia, em Viana do Castelo, Portugal.

Foto nº 05, do álbum de viagens 2000 Espanha, Tarde de 21 de Agosto de 2000, no Miradouro do Templo de Santa Luzia, em Viana do Castelo, Portugal.

Foi pena não termos tempo, (leia-se dinheiro), para comprarmos umas quantas. De volta á estrada, com o bandulho cheio e com um sorriso de orelha a orelha, entramos novamente dentro do Opel Corsa. Há um provérbio chinês que diz que um homem feliz é como um barco que navega com vento favorável. Assim sendo e se o meu sangue não me engana, porque já fomos a Viana, desfraldemos as velas do Corsa, “vrum, vrum” e ala de visitar o mais famoso ex-libris e cartão-de-visita da cidade de Viana do Castelo: o Santuário de Santa Luzia. P.S.:Os provérbios são realmente verdadeiras jóias do pensamento sincrético, ou lá o que isso seja.

 

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III.                   21 De Agosto de 2000, De Viana do Castelo a Vila Nova da Cerveira.

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Foto nº 01, do álbum de viagens 2000 Espanha, Tarde de 21 de Agosto de 2000, Templo Santa Luzia, Monte de Santa Luzia, Viana do Castelo, Portugal.

Há quem diga que o Santuário de Santa Luzia tem uma traça arquitectónica muito semelhante ao Sacré Coeur em Paris. Desta visita ao Santuário do Templo Monumento de Santa Luzia, situado no cimo do monte de Santa Luzia, ficou-me retido na memória a visita ao seu Zimbório. O Zimbório é a parte mais alta e exterior da cúpula, em forma de torre, das igrejas e catedrais cristãs de grande dimensão. Lá em cima, depois de uma carrada de escadas subidas a penantes, ofegantes e moídos, a natureza oferece-nos um espectáculo ímpar: para onde quer que se olhe avista-se, em frente e a perder de vista, o Oceano Atlântico, nas nossas costas a beleza deslumbrante do Jardim do Monte de Santa Luzia e, lá em baixo, um pouco á nossa esquerda, o rio Lima e todo o seu esplendoroso vale. Aqui, no cimo do Zimbório, verdadeiramente entendi o poema Mar Português de Fernando Pessoa. “Ó Mar Salgado, quanto do teu sal, São Lágrimas de Portugal”. Verdadeiramente libertador. A descida feita de passos certeiros e cadenciados foi lesta. Assim como foi lesto o retomar da viagem. No meu diário de viagens ficou registado ainda a passagem pela Nacional 13, com vista para a praia de Afife, por volta das 14h15m. E seguindo sempre pela Nacional 13 passamos Moledo até nos determos em Caminha por volta das 14h30. Um café para espantar o sono e aí vamos nós, uma vez mais. E por volta das 14h41 decidimos que por hoje já chega: ficamos para a janta e para a dormida em Vila Nova da Cerveira.

Foto nº 07, do álbum de viagens 2000 Espanha, tarde de 21 de Agosto de 2000, em Vila Nova da Cerveira, Portugal.

Foto nº 07, do álbum de viagens 2000 Espanha, tarde de 21 de Agosto de 2000, em Vila Nova da Cerveira, Portugal.

Detemo-nos por uma visita rápida pelos Paços do Concelho de Vila Nova da Cerveira, junto á Praça da Liberdade. Foto da praxe para a posteridade, e mais uma visita de médico ao Solar dos Castros que é mesmo ali ao lado em frente ao Jardim do Auditório Municipal da Vila. Bem visível e lá em cima ao longe, no monte do Alto do Crasto, a estátua metálica de um Cervo, da autoria do escultor José Rodrigues e que é o símbolo da cidade. Tudo para também fazer um pouco de tempo até podermos fazer o check-in no local escolhido para dormir: A Pousada da Juventude de Vila Nova da Cerveira. Hoje a Pousada está instalada, desde 20 Janeiro de 2008, num edifício recuperado e adaptado da Antiga Escola Primária de Vila Nova da Cerveira. Todo moderno e cómodo. Todo xpto e nos trinques. Mas em 2000 ela estava situada num edifício “vintage”, gosto de dizer assim, no nº21 do Largo 16 de Fevereiro. Era um edifício “de mochileiros” como nós. Beliches. A cada de banho era democrática. Era uma e só uma igual para todos. E sim, claro, também havia uma casa de banho para todas. Depois de fazermos o registo de entrada e desfazer as malas, o banhinho foi o passo seguinte. Depois? Bem depois é tempo de ir á procura da janta. Frango assado. Claro. Na Churrasqueira O Telheiro, no nº 108 da rua Queiroz Ribeiro. À boa maneira portuguesa: frango assado, batatas fritas, arroz branco e “bejecas”. Recomendamos. Deitá-mo-nos cedo, lembro-me. Mortos de cansaço. Caí na cama e embalei-me nos braços de Morfeu. Lembrando novamente o poema Mar Português de Pessoa: “Quem quer passar além do Bojador, Tem de passar além da dor. Deus ao Mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o Céu.

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IV.                   22 De Agosto de 2000, De Vila Nova da Cerveira a Santiago de Compostela.

22 De Agosto de 2000. Seis e meia da matina. Pousada da Juventude de Vila Nova da Cerveira. Madrugada quente e silenciosa. Mal dormi. Talvez do cansaço da condução do dia anterior. Ou da adrenalina da antecipação do dia posterior. Mas sentia-me bem, física e psicologicamente. Banho retemperador de água fria. Sempre. Quer faça frio ou calor. Sol ou chuva. Depois é tempo de nos fazermos á sala do pequeno-almoço da Pousada. E para quebrar o jejum, depois do período noturno de sono, nada melhor do que nos lambuzarmos espartanamente com o fiambre, o queijo, o pão, as compotas, a fruta, sumos e café. Não necessariamente por esta ordem. E ao bater das 07h e 36m já estava a dar á chave da ignição do Opel Corsa para nos fazermos de novo ao alcatrão. Sempre a rolar bem com o Corsa, pela Nacional 13, passámos pela Reboreda, Quinta, passando até bem perto do Aeródromo do Cerval, até ao nó viário entre a Pedreira e o Crato. Aí, para evitar custos desnecessários com portagens das autoestradas, seguimos sempre pela Nacional 13, passando por Tuído, Eido de Cima, Troias, até chegarmos a Valença. Rápido, não? Sim.

Manhã de 22 de Agosto de 2000, Estátua Os Cavalos de Juan José Oliveira, Plaza de España, Vigo, Espanha.

Manhã de 22 de Agosto de 2000, Estátua Os Cavalos de Juan José Oliveira, Plaza de España, Vigo, Espanha.

Um quarto de hora de boa condução para um percurso de 15 quilómetros, mais coisa menos coisa, e voilá. O meu diário da viagem assinalou a chegada a Valença por volta das 07h 51m da manhã. 8 Km depois e sem nos determos em Valença, entrámos finalmente em Espanha. Não era a minha primeira passagem por Espanha, mas era a primeira vez que entrava em território continental espanhol pelo Norte. E a partir daqui regulemo-nos pelo fuso horário espanhol que é mais uma hora do que em Portugal continental. 09h02m. Atravessamos o rio Minho, (Miño em espanhol), através da ponte internacional Tui-Valença. Minutos depois já rolávamos no alcatrão da Estrada Nacional Espanhola N-550 tendo a nossa rota como destino o concelho de Porriño já na província galega de Pontevedra. Embora não fosse o nosso destino final, por enquanto íamos apontados ao Norte até á cidade de Vigo. Perto de Porriño metemos pela Via Rápida A-55 sempre em direção a Vigo. E o diário de viagem assinala a chega a Vigo pelas 09h 25m da manhã. De Vigo, apesar de passarmos por lá tipo visita de médico, guardo para a posterioridade e em fotografias a imagem da uma estátua equestre com cavalos, numa rotunda do centro de Vigo. Fica no centro da rotunda da Praça de Espanha em pleno centro da cidade de Vigo, El Monumento a los Caballos, assim se chama a estátua equestre exposta na rotunda, é da autoria de Juan José Oliveira, e por causa desta obra ficou também conhecido o autor como o Señor de los Caballos. O Guia Turístico de

Manhã de 22 de Agosto de 2000, Fachada do Obradoiro, Catedral Santiago Compostela, Praza do Obradoiro, Santiago Compostela, Espanha.

Manhã de 22 de Agosto de 2000, Fachada do Obradoiro, Catedral Santiago Compostela, Praza do Obradoiro, Santiago Compostela, Espanha.

Vigo mostra-nos que o conjunto escultórico representa 5 cavalos ascendendo ao Céu por uma cascata, pesa 40 toneladas, tem 18 metros altura e não foi aqui colocada casualmente. Outrora este local era pasto de cavalos selvagens e que agora ainda vagueiam pelos montes ao redor de Vigo. Seguimos sem demora para Pontevedra. E para a coisa ser mais rápida enfiamos o Corsa pela Autoestrada AP-9, das Autopistas del Atlântico, e só paramos em Pontevedra. Até lá passamos a Puente de Rande, no Estreito de Rande da Ria de Vigo, onde a paisagem da Ria de Vigo é espectacular. E foi tão rápido que ás 09h 50m já tínhamos Pontevedra á vista. O custo da portagem desta corrida foi a módica quantia de 340 Pesetas. Não. Ainda não havia Euro. Pontevedra, segundo o guia turístico, é uma cidade espanhola situada no nordeste da Galiza, pertencente á comarca de Pontevedra, e é a capital da província homónima. Mas não detemos e passamos na sua periferia para apanharmos novamente a Autoestrada AP-9 a fim de chegarmos o mais rapidamente ao nosso destino final: Santiago de Compostela. Depois de pagarmos 340 pesetas na portagem, pelo custo desta correria, o relógio do Corsa assinalou as 10h 30m como a hora de oficial de entrada em Santiago de Compostela. Estacionámos o Corsa nas imediações da Praza do Obradoiro. Uns minutos e meia dúzia de passos depois eis-nos já defronte do porquê da nossa vinda a Santiago de Compostela: a visita ao famoso templo cristão, de arquitectura gótica espanhola, a Catedral de Santiago de Compostela. Da nossa visita que nós fizemos à Catedral de Santiago de Compostela, bem como boa parte da informação turística, cultural e história que recolhemos deste templo religioso, vos darei conta numa outra página do meu blogue que ainda se encontra em construção. Por enquanto agora entrem connosco, descansem um pouco, em paz, em silêncio e porque não com alguma em felicidade, aqui neste Altar da Fé. Até já.

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