2002 MALTA.

I.                   2002-08-23, Sweethaven Village, Anchor Bay, Malta.

“Eu sou o que sou, e isso é tudo o que eu sou! Eu sou o marinheiro Popeye.”

(Do filme norte-americano “Popeye, O Marinheiro.”, de 1980, interpretado por Robbie Williams)

A primeira vez que ouvi a palavra Malta…

 

Manhã de 22 Agosto 2002, Tales of the Silent City_Palazzo Gatto Murina, Villegaignon Street_Cidade de Mdina_Malta.

Manhã de 22 Agosto 2002, Tales of the Silent City_Palazzo Gatto Murina, Villegaignon Street_Cidade de Mdina_Malta.

Em 2002 quis a roda do destino que a mesma nos levasse até Malta. A primeira vez que ouvi a palavra Malta nem sabia que era uma ilha, país independente e muito menos sabia onde que diabo isso ficava. Foi para aí á uns bons 40 e muitos anos atrás que “vi” pela primeira vez Malta graças às aventuras do piloto de aviões da II Guerra Mundial, o luso-britânico Major Alvega que eu lia nos livros de banda desenhada da coleção Falcão. Sim malta, estou a ficar cota. Sim, acreditem ou não, sou daquele tempo em que a nossa rede social se chamava Rua. Anos mais tarde “ouvi” novamente falar de Malta no filme “ O Falcão de Malta”, de 1941, interpretado no cinema pelo ator ícone da era, Humphrey Bogart. Marcou um género policial á época mas confesso quem nem sequer cheguei a ler o livro, com o mesmo título, do autor Dashiell Hammett. Culpado: isto, durante uns largos e bons anos, foi tudo o sabia sobre Malta. Com a revolução militar do 25 de Abril de 1974 começou depois a haver mais informação e sobretudo mais liberdade para a divulgar. Nos anos de 80, do século passado, apareceu então nas bancas, como se dizia na altura, o trabalho da banda desenhada do escritor suíço Hugo Pratt, com as aventuras do mais famoso marinheiro, aventureiro e romântico de seu nome Corto Maltese. Um marinheiro, filho de inglês e cigana, nascido em La Valetta, a capital de Malta. E isto era, basicamente, a minha cultura geral sobre malta. E foi preciso avançar muitos anos no tempo para que tudo mudasse. Querem ouvir?

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O Mediterrânico arquipélago de Malta.

Em 2002 quis a roda do destino que a mesma nos levasse até Malta. Nesse ano já distante a Paula e a Fernanda, amigas da Ana Maria, falaram-nos sobre uma viagem que elas fizeram a Malta. No entender delas foi 3B: bom, bonito e barato e de chorar por mais. Aguçados pela curiosidade e pelo nosso espírito aventureiro, lá viajámos nós, eu, a Ana Maria e a Andreia até á “ilha” de Malta. E malta (trocadilho), nesta prosa que já vai larga, só vos vou narrar um pedacinho da nossa aventura pelo arquipélago de Malta, mais concretamente em “Sweethaven Village”, na Ilha de Malta, num quente Agosto, no longínquo ano de 2002. Primeiro um pouco de história e cultura. Malta é uma ilha que dá nome ao país e ao arquipélago de ilhas que formam esse mesmo país. São para aí, mais coisa menos coisa, umas 23 ilhas e apenas as três ilhas maiores, em termos de área, são habitadas: são elas Malta, Gozo e Komino. As outras são pequeninas e ninguém mora lá.

Manhã de 23 de Agosto de 2002, Gipsy and sons, Winery, Sweethaven Village, Triq Tal-Prajjet,Il, Mellieħa, Malta.

Manhã de 23 de Agosto de 2002, Gipsy and sons, Winery, Sweethaven Village, Triq Tal-Prajjet,Il, Mellieħa, Malta.

É um arquipélago situado no Mar Mediterrânico, fica entre o sul da ilha italiana de Sicília e o nordeste do território africano da Tunísia e como país faz parte do Continente Europeu. É verdade. Em idioma maltês diz-se Repubblika ta’ Malta. Pertenceu a Vikings, Fenícios, Romanos, Árabes, Franceses, Espanhóis, Portugueses e Ingleses. É um país independente da Inglaterra desde 1964. Desde 1974 que é uma República. Mantém ainda os laços de afinidade com a Commonwealth. Actualmente (2016) é membro da União Europeia, Espaço Schengen e Zona Euro. Aquando da nossa passagem pelo arquipélago os malteses ainda não eram membros destes três últimos. Foi neste território paradisíaco que por volta de 1530 a Ordem dos Hospitalários de São João de Jerusalém se tornou na mundialmente conhecida Ordem Soberana de Malta. Em 1834 a Ordem fixou-se definitivamente em Roma no Palácio de Malta. O português Frei D. António Manuel de Vilhena, 66º Grão Mestre da Ordem, foi um dos seus mais proeminentes líderes tendo deixado obra feita de reconhecido valor patrimonial de Malta. O seu túmulo, faustoso diga-se de passagem, está situado na Igreja de S. João, dedicada a S. João Baptista padroeiro da Ordem dos Hospitalários S. João. La Valleta é a capital e deve o seu nome ao Grão-mestre da Ordem de Malta, Frei Jean de La Valette. Fala-se o inglês e o maltês por todo o arquipélago sendo que a actual moeda é o Euro. Quando lá estivemos, em 2002, a moeda era a Libra Maltesa. Nós estabelecemos o quartel-general das operações na ilha de Malta. Mais propriamente em Saint Julians Bay, no President Hotel. Um bairro tranquilo, apesar de estarmos a cinco minutos a pé do Casino de Malta e a outro tanto do Hard Rock Café de Malta. E, citando Marco da Silva: Gostei! Vamos?

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 Sweethaven Village, Ilha de Malta.

Diário de viagem. 23 De Agosto de 2002. A Ana, a Andreia e eu tomámos o breakfast bem cedinho, no hotel. Um verdadeiro e típico pequeno-almoço britânico, ou não tivesse sido Malta uma colónia inglesa, após o fim da II Guerra Mundial, até á sua independência em 1974. Depois era vagarosamente ir apanhar, quase á porta do hotel, o autocarro para Mellieha, que fica no outro extremo da ilha, contrário a onde nos encontramos em Saint Julians Bay. Hoje, aos dias que vos escrevo esta crónica, os buses já são todos modernos, confortáveis, limpos e seguros. Novinhos em folha e a brilhar. Mas em 2002 não. Eram ainda eram aqueles buses amarelos, a cair de antigos, da Bristish Leyland e da Bedfod. Marcas inglesas, claro. As janelas eram de abrir manualmente. Para cima ou para baixo. Conforme o caso. As portas eram abertas á la mão. Podia-se entrar no autocarro em tronco nu, ou em calção de banho. O bilhete era comprado á mão e era pago ao motorista do autocarro. Regra geral eles eram todos gordinhos, alto bigode, camisa aberta com o pelo á mostra e alto medalhão de ouro a fazer pendant. Viajava-se sentado, de pé e ao colo. Era até dar. Já na paragem, na rua em frente ao hotel e á torreira do Sol, lá vinha o bus milagroso com a indicação de destino: Anchor Bay. Os bilhetes do autocarro para adultos custavam 40 cêntimos da Libra Maltesa. Sim viajantes. Só a partir de 2008 é que Malta aderiu ao Euro. Aos saltos, aos altos e baixos, e às chiadeiras dos travões do autocarro, lá fomos pelo meio da Ilha de Malta, até Anchor Bay em Mellieha. E ao nosso destino final: Sweethaven Village. Esta famosa vila, amigos, serviu de cenários para o filme Popeye The Saylor Man. Filme produzido em 1980 por Robert Altman, tendo ainda como protagonista o falecido ator Robin Williams no papel do marinheiro Popeye. Hoje, neste ano de 2016, a vila tem o nome tudo lustroso de Popeye Village Fun Park. Depois de pararmos na paragem de autocarros, no cruzamento da estrada de Triq Tal-Prajjet, lembro-me de ainda palmilharmos um bocado a pé, pela canícula, até chegarmos ao destino final. Á entrada da vila estava uma casinha colorida chamada bilheteira. Depois de adquiridos os bilhetes foi tempo de calcorrear a vila em busca das melhores fotos, recordações e visitas, referentes á Vila do Popeye. 3,5 Libras Maltesas os bilhetes adultos e para as crianças 1,5 Libra Maltesas.

Manhã de 23 de Agosto de 2002, entrada de Sweethaven Village, Triq Tal-Prajjet,Il, Mellieħa, Malta.

Manhã de 23 de Agosto de 2002, entrada de Sweethaven Village, Triq Tal-Prajjet,Il, Mellieħa, Malta.

Vimos quase tudo: o quartel dos bombeiros, e os correios, onde não deixámos de comprar os tradicionais postais alusivos ao local. Passámos pela casa do Bluto, mais conhecido por Brutos e que é aquele sujeito forte e barbudo rival do Popeye na luta pelo amor da Olivia Palito. Na barbearia até julgámos ver o Wympi refastelado na cadeira a comer hambúrgueres enquanto lhe cortavam cabelo. Todo o vilarejo era, e ainda é, composto por várias habitações rústicas, em madeira, de vários tamanhos e feitios, e das mais variadas cores. Ao passarmos pela casa ginásio de boxe vimos, (juro que vimos), o Popeye a comer espinafres de uma lata recentemente aberta e depois a dar uns valentes sopapos no ar. E se não era o Popeye era o Diabo por ele. Errámos ainda pela praça da Olívia Palito. Fomos às compras nas lojas de souvenires e ainda deu para ir ao Cinema ver um pedacinho do filme Popeye, O Marinheiro. Quase a terminar a nossa passagem pela vila ainda demos um passeio de barco, na baía de Il-Prajjet, cujo custo da viajem estava incluído nos nossos bilhetes. Vista do Mar, a Vila é um espetáculo. Delicioso para miúdos e graúdos. Por fim, para rematar a coisa, nada como fazer como manda a tradição local e do filme: ir ao Bar Restaurante da vila, comprar amendoins, descascá-los e mandar as cascas para o chão. Meus amigos, eu nunca tinha visto nada assim num chão de um bar. Sem exagero um palmo de altura de cascas de amendoim, espalhados no chão por todo o Bar, a servir de tapete. Único. Passados quase 14 anos após a nossa visita ainda me lembro como se fosse hoje de um tapete enorme de amendoins espalhados pelo chão a servir de cenário hollywoodesco. Para acabar a coisa ainda engarrafei e rotulei um par de garrafas de vinho local com a marca Popeye o Marinheiro, para trazer de recordação para Portugal. Sim, amigos viajantes. Na altura era muito in. Viajante engarrafar e rotular o seu próprio vinho. Com a manhã a acabar e de mochila às costas, foi tempo de por outra vez as perninhas ao caminho e andar um bom bocado pela ilha até chegarmos á praia, em Mellieħa Bay, para acamar os amendoins e o almoço. Que isto de percorrer o caminho é muito de diferente de o conhecer. Hoje sou o que sou e isto é tudo o que sou: um viajante dos sentidos. Hoje, ao escrever esta crónica, lá fora na minha rua, onde paira um silêncio solene, oiço de vez em quando o vento sibilar e embalar-me numa ilusão demorada onde umas vezes escrevo e outras imagino viagens. A Viagem passa tão rápida que nem tenho tempo para envelhecer. Travel it’s what i make.

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4 comentários

4 thoughts on “2002 MALTA.

  1. Se puderem um dia, visitem esta ilha maravilhosa, cheia de surpresas. Enquanto não forem, acompanhem aqui a nossa aventura para verem como foi.

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  2. Ando há tanto tempo para lá ir, e vou sempe adiando. Ainda fiquei com mais vontade depois de há poucas semanas editar um texto com dicas sobre Malta para o Alma de Viajante (pode ser útil para quem quiser visitar o país), de alguém que mora lá (e recomenda, claro). A ver se é este ano! Abraço.

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    • Olá, Filipe. Se puderes ir a Malta não deixes de o fazer. Para quem gosta de cultura, história, mar, ilhas, gastronomia, e sobretudo de viajar, eu aconselho Malta. É perto, bom, bonito e barato. E o melhor património de Malta são, sobretudo, as suas gentes. Quando lá estivemos eram educados, amistosos, prestáveis e hospitaleiros. Nada a apontar em seu desfavor. E à noite era tranquilo e seguro andar pelas ruas das cidades. Gostei das ilhas e dos banhos de mar no Mediterrâneo. Abraço, forte, desde os areais da Caparica.

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