2005 EGIPTO

       I.           2005, Egipto, um beijo de Karkadeh.

20050819_M_Mövenpick Resort Aswan_Elphantine Island_Aswan_Egipto

Manhã de 19-08-2005, Mövenpick Resort Aswan, Elphantine Island, Aswan, Egipto.

A nossa Vida é uma Viagem, assim eu o acredito. Mas esta nossa Viagem é composta de várias Viagens. Umas vezes chegamos. Umas vezes partimos. Outras ficamos um bocado á espera e depois seguimos a nossa Viagem. Cada uma dessas Viagens é feita, pelo menos, três vezes. Primeiro: como a idealizamos. Segunda: como depois realmente a fazemos. Terceiro e última; como depois a recordamos. Em 2005 eu, a minha esposa Ana Maria e a minha filha Andreia, fomos até ao país das pirâmides e dos faraós, o Egipto. Depois de idealizada e realizada esta nossa Viagem, está mais do que na hora de a recordar. E para a recordar e perpetuar no tempo tenho de a escrever. Para não nos esquecermos de quem fomos e de quem somos. Não sei como será a minha vida quando a minha memória me atraiçoar. Perderemos nós a capacidade de amar quando nos esquecermos de nós e daqueles que amamos? Deixaremos de ser felizes? Porque é de Felicidade que nos deve nortear a nossa Viagem. E ela não está em viver mas em saber viver. Não vive mais o que mais vive mas sim aquele que melhor vive.  Estas crónicas de “2005, Egipto, um beijo de Karkadeh”, são pois um legado, narrado e comentado, de momentos de Felicidade da nossa Viagem.

A noite era escura como breu e o Nilo, embalado pelo calor, dormia nos braços do Sahara. Chegámos á região núbia de Aswan, perto da primeira catarata. Depois…viemos do Alto Egipto até ao Baixo Egipto. Cairo…sim, eu lembro-me muito bem dessa nossa viagem, Ana. As últimas noites foram dormidas lado a lado com o planalto de Gizé tendo a Esfinge por sentinela. Ainda te lembras, Andreia?

Para a Ana Maria, a minha Bússola, e para a Andreia, a minha Estrela Polar.

“Somos o resultado dos livros que lemos, das viagens que fazemos e das pessoas que amamos.”

(Airton Ortiz, jornalista brasileiro, 1954 -)

===================================================================================================================

       II.            18 De Agosto de 2005, Partir.

20170525 19h28 Egipto_Localização geográfica

Egipto_Localização geográfica

Sobreda. Diário de Viagem. 18 Agosto 2006. Seis horas da manhã. Acordei como na véspera sabia que iria acordar hoje. Acordaria antes, muito antes, do relógio despertador me acordar. O meu relógio biológico não me iria deixar ficar mal. Muito antes da hora a que me propus acordar já estava bem desperto. A ansiedade, misturada com a emoção, tem destas coisas. Finalmente o grande dia. Pela primeira vez na minha Viagem, como sempre sonhei, iríamos estar na terra mãe: África. Talvez trivial para o simples mortal comum mas para nós uma verdadeira espécie de “África Minha”. Levantei-me, qual salteador, e sem acordar quem quer que fosse fui até á janela do quarto. Abri as persianas dos estores. O Sol, forte e intenso, entrou pelo quarto a dentro, qual raio do Olimpo, cegando-me lenta e silenciosamente. Desci as escadas até ao rés-do-chão. Abri a porta principal e deslumbrei-me com o dia maravilhoso que a esta hora da manhã já se fazia sentir.

20170525 19h28 Egipto_Brasão de Armas

Egipto_Brasão de Armas

Ao som do chilrear das aves o nascer do Sol é uma magia que não deve ser perturbada. Na casa de banho, qual ritual iniciático, começo a espalhar pelo rosto uma espuma branca e ultra leve. Qual médico-cirurgião de bisturi em punho num bloco operatório qualquer, desfaço a barba ao sabor do ar fresco de uma manhã de Verão. Duche de água fria, como é usual. Liguei a TV para ouvir as “gordas” como sempre faço todas as manhãs. Acordo a Andreia com um beijo sonoro e estridente. Esboça um sorriso. Subo novamente as escadas para o quarto. Igual procedimento para com a Ana. Mas a dobrar. Para ela são necessários dois beijos. O primeiro é para acordar. O segundo…é para acordar. O que é bom em demasia nunca fez mal a ninguém. Último olhar às bagagens e aos documentos que é preciso levar connosco para esta Viagem. Revemos a lista previamente elaborada. Sete horas e trinta da manhã. Pequeno-almoço tomado. Tudo está preparado para sairmos de casa com bastante antecedência de modo a evitar correrias e atrapalhações de última hora que nos impeçam de viajar conforme programado. Um atraso qualquer ou imprevistos de força maior, que nos impeçam de cumprir horários de voo, são normalmente suficientes para estragar uma Viagem a qualquer um. África, continente, e o Egipto em questão não é propriamente já ali ao virar da esquina da nossa rua. Sim, o nosso destino é o Egipto, um sonho prestes a tornar-se realidade. Lugar único e fantástico no Mundo e capaz de nos surpreender em qualquer quadrante desfolhado de todos os seus dezasseis pontos cardeais. Situado na parte oriental do norte de África, com uma área com mais de 8.600.000 Km2, plantado nesse incrível mar de areia que é o Sahara, o Egipto é uma verdadeira dádiva do seu rio mais famoso, o Nilo. Um país com muita areia, calor e mais areia. Deixemo-nos de suspiros e passemos à acção. Oito horas da manhã e o primeiro passo é chamar um táxi para nos levar e às bagagens até à estação ferroviária da Fertagus no Pragal. Oito horas e vinte e sete minutos e, qual pontualidade britânica, o nosso comboio sai da estação ferroviária do Pragal no horário previsto. Não fossem as malas de viajem que trazemos connosco e passaríamos por um outro qualquer cidadão comum deslocando-se de casa para o trabalho.

20170525 19h29 Egipto_Bandeira

Egipto_Bandeira

Ou do trabalho para casa. Quarenta minutos depois das oito horas da manhã e chegamos à estação ferroviária do Areeiro. Estação esta situada numa zona cosmopolita da cidade de Lisboa, com bastante comércio e relativamente já perto do aeroporto. Depois é tempo de apanhar outro táxi, ali na praça de táxis em frente á estação, até ao Aeroporto Internacional de Lisboa. Em 2005 era da Portela, hoje, aos dias que escrevo esta crónica, 2017, é Humberto Delgado. Não é muito longe, daqui, este aeroporto. A dez minutos, de táxi, se tanto. Vamos lá. Quase a bater as nove horas, da manhã, já as bagagens que levávamos estavam no chão de terminal de embarque do Aeroporto da Portela. Feito o primeiro passo: partir.

“Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir. “

(Amyr Klink, Brasil, navegador e sócio fundador do Museu Nacional do Mar SC Brasil, 1955 //)

 

Anúncios
1 Comentário

One thought on “2005 EGIPTO

  1. ANA MARIA MARTINS MARQUES DOS SANTOS

    Uma das maiores aventuras em que embarcámos. Não percam os seguintes “episódios”. Se algum dia lá forem, tentem ir entre Abril a Outubro. Fora esse período, o calor “queima” e bem, e a viagem torna-se muito cansativa. A riqueza do que se vê por estas terras não tem explicação. Só ver para crer e o valor do que se vê é indescritível. Ainda fomos em bons tempos….

    Liked by 1 person

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.

%d bloggers like this: