2008 Panteão dos deuses Maya, MÉXICO.

I.                   POPOL VUH

(2015-09-01 13:23)   

Tarde de 18 de Agosto de 2008, sentado num banco de jardim da 5ª Avenida na Playa del Carmen, Quintana Roo, México.

Os Maias, não os de Eça de Queiróz, mas sim o nome dos diversos povos nativos do sul do México e ainda da América Central, de á milhares de anos atrás a esta parte, sempre encerraram um enigmático misticismo em torno da sua criação. A primeira vez que o Ocidente tomou conhecimento destes povos foi através dos Conquistadores espanhóis Pizarro e Cortez. E mesmo assim, aquando da chegada dos Conquistadores, os povos nativos que encontraram já eram na sua larga maioria Aztecas ou até Incas. Os Toltecas e os Olmecas, cujos nomes foram atribuídos pelos arqueológicos do século XX, há muito que se haviam misturado entre outras raças. Sempre se pensou que estes grupos étnicos foram o início da civilização desta parte do Globo Terrestre. Contudo, o Popol Vuh, o livro da comunidade Maya em idioma quiché, escrito em forma poética e com forte influência cristã e espanhola do tempo das Conquistas, relata a criação do Mundo, da Fauna, da Flora e da criação do homem e dos Deuses, de modo diferente e de acordo com a tradição Maya. E, segundo os seus estudiosos, isso faz toda a diferença. A tradição, cultura, ou até a história dos Maya, foi escrita na pedra. Disso não restam quaisquer dúvidas. E é aqui que está a verdadeira essência da cultura Maya. Tudo o que existe escrito em papel foi feito por padres do Santo Ofício, ao tempo das Conquistas, em idioma castelhano da época, baseados em relatos orais dos povos nativos submetidos por Pizarro e Cortez. Basta ver que no Popol Vuh existem algumas passagens um tudo ou nada semelhantes a factos cristãos descritos na Bíblia. De tudo o que pude aprender sobre os Mayas e acreditem que nós ainda sabemos muito pouco sobre eles, dizia eu que houve algo que me ficou retido na memória resistindo ao desgaste do tempo. Aos eternos enigmas de quem somos, de onde viemos e para onde vamos, os Mayas responderam-nos às duas primeiras perguntas. E, acreditem, faz todo o sentido as suas respostas. Pois diz a cultura Maya que todos nós somos Poeira Cósmica. Quem somos? Poeira Cósmica. Dizem os Mayas ainda que viemos das Plêiades. As Plêiades são um grupo de sete estrelas azuis, da Constelação do Touro, e são conhecidas por quase todos os povos da Antiguidade. Desde os Chineses aos Persas, passando pelos Gregos, ou até os Maoris do hemisfério Sul, bem como os Mayas que lhes chamavam, em linguagem Maya o nome de Tzab-ek. Pois bem os nossos amigos Mayas além de dizerem que nós somos poeira cósmica também afirmavam que vínhamos das estrelas.

Tarde de 19 de Agosto de 2008, na Cidade Maia Chichén Itza, em Chichén Itza, Yucatan, México.

Tarde de 19 de Agosto de 2008, Artesanato Maya, na Cidade Maya Chichén Itza, em Chichén Itza, Yucatan, México.

Para onde vamos? Bem, isso ainda não é do nosso conhecimento. E olhem que os Mayas tinham um cultura muito superior á nossa por muito que vos custe a acreditar. Exemplo? O conceito matemático do zero foi introduzido pelos Mayas. Antes deles não houve nenhuma civilização conhecida que tivesse o conceito do zero na sua Matemática. Mais uma para ficarem espantados de vez? Os Mayas mediam o tempo ciclicamente. A nossa civilização mede o tempo segundo o conceito linear. Tudo o que foi já não é e nunca será. Pois os nossos amigos Mayas não só discordavam como demonstraram na prática que é possível medir o tempo em ciclos. E quando morrermos? Voltamos cá novamente? Aí, por muito que nos custe a acreditar, os nossos amigos Mayas “utilizavam” dimensões paralelas. E aí já não vos sei explicar melhor. Sei que tinham muitos calendários para medirem ciclicamente o tempo, como por exemplo, para as marés, para as colheitas na agricultura, para a construção e arquitetura, para a guerra, para a religião, para a astronomia, etc, etc. E acreditem que a coisa sempre funcionava direitinha e certinha. Mas convém não esquecer que nesses calendários  já entram em cena um enorme panteão de deuses Mayas os quais serviam para aferir e balizar toda a sua civilização. E é deles que irei ao longo dos tempos escrever um pouco com o intuito de tentar perceber para onde vamos enquanto Humanidade. Acredito que somos poeira cósmica e que viemos das estrelas, mas para onde vamos eu ainda não sei. Apenas acredito que para onde vamos está apenas nas nossas mãos e apenas nas mãos de cada um de nós, independentemente do nosso credo, raça, cor, sexo, ideologia politica ou religião. Sim, para onde vamos está apenas nas nossas mãos.

“Tudo é considerado impossível, até acontecer.”

(Nelson Mandela, (Madiba), Advogado, preso político e presidente da África do Sul, Prémio Nobel da Paz e pai da moderna África do Sul)

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II.                   BALAM, O JAGUAR

(2015-10-26 18:43)  

Tarde de 18 de Agosto de 2008, caminhando pela 5ª Avenida da Playa del Carmen, na Riviera Maya, Província de Quintana Roo, México.

Aquando das nossas passagens pelo México fiquei fascinado com o que escutei, li e aprendi sobre a cultura Maya. Não que seja um estudioso do panteão dos deuses Mayas mas, antes de mais talvez derivado á minha fascinação pessoal pela sua cultura, fiquei deveres empolgado. Aliás, diga-se em bom abono da verdade que sou, confesso, um eterno admirador de todas as civilizações conhecidas e perdidas do Mundo Antigo e da Antiguidade. Regra geral, as nossas viagens pelo Mundo, foram efectuadas a locais onde pudéssemos beber no terreno toda essa informação sobre esses povos, cultura, história e que tipo de sociedade e cultura tinham.

No México, entre outras civilizações que se perderam no tempo, os Mayas chamaram-me particularmente á atenção. Hoje, á distância e imparcialidade que se impõem, o principal motivo de tal fascinação talvez seja a maneira como os Mayas mediam o tempo. Hoje, para nós humanidade dita civilizada, o tempo é medido linearmente. O que já foi nunca mais será. O ontem é ontem, o hoje é hoje e o amanhã será o amanhã. Simples. Mas os Mayas mediam o tempo ciclicamente. Por ciclos. Durante um determinado período de tempo verificavam-se determinados acontecimentos que ao fim de determinado período de tempo verificar-se-iam novamente. O que aconteceu voltará a acontecer. Aliás a morte física para eles mais não era do que uma maneira de transpormos uma porta para um Mundo paralelo ao nosso. Complicado? Falemos pois de um animal chamado Jaguar. Não o da marca de carros com o mesmo nome mas sim o de um animal endeusado em geral pelos índios nativos sul-americanos.

Foto nº 115, do álbum de viagens 2008 México, fotografia capturada numa tarde de 18-08-2008, na 5ª Avenida da Playa del Carmem, na Riviera Maya do estado de Quintana Roo, no México.

Foto nº 115, do álbum de viagens 2008 México, fotografia capturada numa tarde de 18-08-2008, na 5ª Avenida da Playa del Carmem, na Riviera Maya do estado de Quintana Roo, no México.

O Jaguar, tal como nós europeus conhecemos, é um bichinho felino, carnívoro e o terceiro no Mundo mais perigoso para o Homem, logo a seguir ao tigre e ao leão. No Brasil é conhecido como onça-pintada e a sua fisionomia parece tal e qual a chita ou um leopardo. Se forem à procura dele num compêndio de zoologia ficam com uma ideia mais precisa. Ora o nosso amigo Jaguar era conhecido dos Mayas com o nome de Balam. Na Playa del Carmem, na província mexicana de Quintana Roo, fotografei todos os marcos que identificavam os mais importantes deuses do panteão Maya. Traduzido da de uma dessas fotografias que acompanha este texto, os Mayas, pela sua beleza e temperamento selvagem, rendiam culto a Balam. Devido à sua destemida bravura e coragem também os príncipes Mayas notáveis e os altos sacerdotes eram apelidados de Balames devido a essas suas faculdades velarem pelas cidades evitando catástrofes climatéricas e guerras entre etnias. Também os deuses dos quatro pontos cardeais e da agricultura eram apelidados de Balames. Acreditava este povo que o Jaguar, perdão, Balam, era uma peça importante no intrincado puzzle do seu xamanismo. Quem fosse Balam, personificava a coragem, bravura, destreza e a protecção necessárias aos xamãs para os protegerem dos maus espíritos que vagueavam entre os dois Mundos. O Jaguar é dos raros predadores que tanto caça em terra como na água. Daí os Mayas lhe associarem dois Mundos. É um felino raro que se adapta como mais nenhum ao meio aquático. Neste caso este povo socorria-se da mãe Natureza, mais concretamente da Fauna, para simbolizar a importâncias dos seus mais ilustres membros. Hoje, aos dias que vos escrevo esta crónica, experimentem simbolizar a importância de todas as pessoas da vossa vida, socorrendo-vos da Fauna da Natureza. E você, amigo leitor, qual é o animal que melhor o simboliza? Estranho, não é…

“ Olhe no fundo dos olhos de um animal e, por um momento troque de lugar com ele. A vida dele se tornará tão preciosa quanto a sua e você se tornará tão vulnerável quanto ele. Agora sorria se você acredita que todos os animais merecem o nosso respeito e a nossa proteção, pois em determinado ponto eles são como nós e nós somos como eles.`”

( Philip Ochoa, Presidente da “University of Success & REG”)

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1 Comentário

One thought on “2008 Panteão dos deuses Maya, MÉXICO.

  1. Ana Santos

    Uma sabedoria impressionante, aquela que os Mayas possuíam naquele tempo. Estar em contacto com aquela cultura, como nós tivemos por duas vezes, nas nossas viagens, foi do melhor que já nos aconteceu. Foi um sonho tornado realidade. Sonhava com isso, mas ir lá foi um privilégio. Voltava terceira e quarta vez se isso fosse possível. Ainda há muito para ver e aprender sobre esta gente e a sua cultura.

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