ALTARES DO MUNDO

ALTARES DO MUNDO, SINOPSE.

Tarde de 20 de Agosto de 2008, em Xcaret, na Riviera Maya, Estado de Quintana Roo, México.

Tarde de 20 de Agosto de 2008, em Xcaret, na Riviera Maya, Estado de Quintana Roo, México.

A Vida é uma Viagem. Uma Viagem na qual nunca sabemos se um ponto de chegada é um ponto de partida, e vice-versa. Umas vezes partimos. Outras chegamos. Por vezes ficamos. Demoradamente, umas vezes. Outras nem por isso. Depressa ou devagar, o certo é que ninguém antecipadamente pediu para fazer a Viagem. Mas depois ninguém quer sair dela. Certa vez em África alguém me contou um provérbio africano que era, mais coisa menos coisa, algo como isto: “Se você quer ir rápido na sua Viagem, vá sozinho. Mas se quiser ir longe, vá acompanhado.” Sempre quis ir longe. E pior que trilhar um caminho errado é persistir no erro conhecendo o caminho certo. Daí que a certo momento da minha Viagem tenha optado por viajar acompanhado. Primeiro com a minha esposa, a Ana, e depois com a minha esposa e com a minha filha, a Andreia. Ao longo dos tempos a nossa Viagem conjunta passou pelos mais diversos, díspares e inverosímeis apeadeiros, digamos assim. Alguns desses ditos apeadeiros, pontos de partida ou de chegada, como acharem melhor, eram, são e serão, locais sagrados consagrados á religião e á espiritualidade. Locais de fé. Locais onde se misturam sistemas culturais e de crenças com as mais diversas visões sobre o Mundo. Outros locais ainda onde se aliam a espiritualidade com os valores morais que se destinam a dar sentido á Vida. São doutrinas onde se afirma a existência imortal da alma do Homem e sendo esta o elemento primordial da realidade. Uma e outra, religião e espiritualidade, são também aquilo que nos aquece por dentro.

Tarde de 18 de Agosto de 2012, Livraria e Loja de Souvenirs, Musei Vaticani, Viale Vaticano, Cidade do Vaticano, Estado do Vaticano.

Tarde de 18 de Agosto de 2012, Livraria e Loja de Souvenirs, Musei Vaticani, Viale Vaticano, Cidade do Vaticano, Estado do Vaticano.

Certa vez alguém me explicou muito rapidamente qual a diferença entre religião e espiritualidade. Disse-me ele que a Religião era para os crentes da Fé que têm medo de ir parar ao Inferno. Mas Espiritualidade, essa é só para aqueles que já estiveram no Inferno e voltaram. Hoje, apesar da minha religião, confesso, sou uma pessoa bem mais espiritual. Sempre gostei de escrever sobre a minha, nossa, Viagem. E por isso decidi partilhar os meus manuscritos com todos vós, meus bons amigos viajantes, sobre um pouco desses ALTARES DO MUNDO que nos foi dado ver na nossa Viagem. São locais de Paz e de Amor, para mim a base de toda a Religião e Espiritualidade. Irei tentar partilhar locais, momentos, história, cultura, e sobretudo emoções. Porque são elas, as emoções, que dão origem á nossa Felicidade. E nós nascemos para sermos Felizes. Não para sermos perfeitos. Acompanhem pois este nosso périplo por ALTARES DO MUNDO. Deixo-vos, por agora, com algumas palavras da eterna sabedoria oriental japonesa:

Um encontro não é mais do que o princípio de uma separação. Mas amigos nunca se separam. Apenas marcam novos encontros. 

===================================================================================================================

ALTARES DO MUNDO, ÍNDICE.

I.    SANTUÁRIO NACIONAL DE CRISTO REI_Almada_Portugal.

II.  TEMPLO DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS EM SANTA LUZIA_Viana do Castelo_Portugal.

III. CATEDRAL DE SANTIAGO DE COMPOSTELA_Santiago de Compostela, Galiza_Espanha.

===================================================================================================================

I. SANTUÁRIO NACIONAL DE CRISTO REI, Almada, Portugal.

Santuário Nacional de Cristo-Rei, ou simplesmente Cristo-Rei, é um santuário e monumento religioso dedicado ao Sagrado Coração de Jesus. Localizado na Área Metropolitana de Lisboa, bem no centro da Margem Sul, mais concretamente na freguesia do Pragal, no concelho de Almada.

10 de Abril de 2016, 14h 40m, Santa Apolónia, Lisboa, vista do miradouro do Cristo Rei, em Almada, Portugal

10 de Abril de 2016, 14h 40m, Santa Apolónia, Lisboa, vista do miradouro do Cristo Rei, em Almada, Portugal

Este ex-libris da cidade de Almada, situado num morro a uma altitude de 113m acima do nível do Tejo, é o melhor miradouro da Margem Sul para a cidade de Lisboa. Bem lá no alto e ao lado da base do monumento ao Cristo Rei, em dias com boa visibilidade, olhando sempre em frente e para a nossa direita, vê-se toda a cidade de Lisboa, até Santa Apolónia.

10 de Abril de 2016, 14h 40m, Lisboa, vista do miradouro do Cristo Rei, em Almada, Portugal.

10 de Abril de 2016, 14h 40m, Lisboa, vista do miradouro do Cristo Rei, em Almada, Portugal.

Rodando para a nossa esquerda, continuando com a visão na horizontal, vê-se muito bem toda a linha do Estoril até Cascais. Descendo um pouco o nosso raio de visão, até á nossa cintura, vê-se muito bem lá em baixo e em todo o seu esplendor, o rio Tejo vindo de Vila Franca de Xira pelo mar da Palha, passando por baixo da Ponte 25 de Abril, indo desaguar na Trafaria, onde o Tejo se faz ao oceano Atlântico á boca do Bugio. É um Santuário dedicado ao culto de inspiração cristã professado pela Igreja Católica Romana.                                                                       Para elencar no tempo a sua construção recorri a factos históricos mencionados na História de Portugal, Documentação Histórica do Santuário cedida pelo Santuário e também informação disponível na internet no endereço electrónico do mesmo. A construção de um monumento a Cristo-Rei nasce através de uma ideia do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, quando viu a imponente imagem do Cristo Redentor do Corcovado, na sua passagem pelo Rio de Janeiro, quando visitou o Brasil em 1934. Em 1936 este desígnio eclesiástico é transmitido ao Apostolado da Oração, Rede Mundial de Oração ao Papa ao serviço dos desafios da Humanidade e da Missão da Igreja. Em 1937 é proclamado oficialmente, na Pastoral Colectiva da Quaresma, a aprovação e cooperação de todos os Bispos Portugueses para a construção do monumento a Cristo-Rei, passando o mesmo a ser Desígnio Nacional de afirmação de Fé do povo Português. Em 1939 começa a II Grande Guerra Mundial. Em 20 de Abril de 1940 em Fátima os Bispos Portugueses fazem um voto de que se Portugal fosse poupado ao flagelo desta guerra seria erigido em frente a Lisboa o dito Monumento dedicado ao Sagrado Coração de Jesus. E assim foi. Em 18 de Dezembro de 1949 é lançada a primeira pedra desta grande obra.

20 de Janeiro de 2008, 15h54m, Monumento a Cristo-Rei, Santuário do Cristo-Rei, Almada, Portugal

20 de Janeiro de 2008, 15h54m, Monumento a Cristo-Rei, Santuário do Cristo-Rei, Almada, Portugal.

A 17 de Maio de 1959, Dia de Pentecostes, perante a imagem de Nossa Senhora de Fátima, e na presença de mais de 300 mil pessoas, entre as quais as mais altas individualidades do Estado Novo, da Igreja, Autoridades Civis e Militares, bem como Cardeais do Brasil e Moçambique, e o Papa João XXIII, presente por Radio-mensagem, é oficialmente inaugurado o Monumento a Cristo-Rei. Em 1984, por ocasião do 25º aniversário do Cristo-Rei, é aprovado o Plano Geral Ordenamento para os terrenos do Santuário. Serão posteriormente aqui edificados o Edifício Acolhimento do Santuário, a Reitoria, vários serviços administrativos, Capela, Galerias para exposições e, qual cereja no topo do bolo, a edificação de um edifício com refeitórios e camaratas para jovens. A 16 de Julho 1999 o Patriarcado de Lisboa entregou a gestão do Monumento e do Santuário á Diocese de Setúbal. De Maio de 2001 a Fevereiro de 2002 ocorrem obras de restauro do Monumento. A 17 de Maio de 2009 ocorreram as Bodas de Ouro do Monumento a Cristo-Rei. Na celebração Jubilar o Bispo de Setúbal e o Arcebispo do Rio de Janeiro, Brasil, assinaram um documento de geminação entre os dois Santuários: o do Cristo-Rei e o do Cristo-Redentor. É ainda instalada uma moderna iluminação noturna no Monumento a Cristo-Rei. Em 2010 Bento XVI, na sua visita apostólica em Portugal, doa um paramento seu, como recordação desta viagem, ao Santuário. Ainda neste ano e na presença da imagem de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal, encerra-se oficialmente as Comemorações do Cinquentenário. Por último, mas não menos importante, refira-se que a estátua do Cristo Rei é da autoria de Francisco Franco de Sousa, famoso escultor da década de 1920, tem 82 metros de altura e encontra-se por cima de um pórtico, ou pedestal, de 75 metros de altura, por sua vez projetado pelo Arquiteto António Lino. 

08 de Abril de 2016, 16h 10m, Santuário de Cristo-Rei, Pragal, Almada, Portugal.

08 de Abril de 2016, 16h 10m, Santuário de Cristo-Rei, Pragal, Almada, Portugal.

08 de Abril de 2016, 16h 11m, Santuário de Cristo-Rei, Pragal, Almada, Portugal.

08 de Abril de 2016, 16h 11m, Santuário de Cristo-Rei, Pragal, Almada, Portugal.

O complexo do santuário é composto por: Edifício de Acolhimento, Salão Cardeal Cerejeira para conferências e reuniões, Refeitório, Cozinha, e Camaratas. No exterior há um Parque de Merendas coberto, a Capela de Nossa Senhora da Paz, a Capela do Divino Coração e a Capela dos Confidentes do Divino Coração. Ainda existe uma Capelania para acolher os Peregrinos, uma cafetaria e uma tenda panorâmica exterior. O Monumento a Cristo-Rei é visitável no seu interior e tem um elevador que nos leva até lá bem no cimo do pedestal. Sim o pedestal é “oco” por dentro com loja de souvenires, e respectivos elevadores para nos levarem até aos pés da estátua de onde se tem uma vista panorâmica ímpar de 360º sobre todo o horizonte á nossa volta. Custo da subida: 4€ pessoa. Em dias de boa visibilidade consegue-se ver na linha do horizonte o Palácio da Pena nos Montes da Lua em Sintra. Este é o seu website www.cristorei.pt 

20 de Janeiro de 2008, 16h 02m, Lisboa vista da Cruz Alta do Santuário Cristo-Rei, Pragal, Almada, Portugal.

20 de Janeiro de 2008, 16h 02m, Lisboa vista da Cruz Alta do Santuário Cristo-Rei, Pragal, Almada, Portugal.

Caminho de Fátima: Em frente à porta principal do Monumento, porta essa decorada com o estandarte de Porta Santa, está a Cruz Alta de Fátima ladeada por três esculturas metálicas: uma Âncora alusiva a S. Paulo lembrando que a esperança é uma âncora segura, um Barco alusivo a Simão o pescador e ainda um Coração alusivo ao Sagrado Coração de Jesus. Em frente está uma estátua com uma placa de mármore com palavras proferidas pelo Papa João Paulo II. A Cruz Alta de Fátima foi uma Cruz Cristã, em metal, venerada no Santuário de Fátima, (a Fátima um dia lá iremos), entre 13 de Outubro de 1951 e 16 de Fevereiro de 2004. Foi nessa altura retirada pelo motivo da construção de uma nova Basílica no local onde a mesma estava exposta. Foi doada ao Santuário de Cristo Rei em 13 de Fevereiro de 2007. Desde 17 de Maio de 2007 que está fixada ao chão e exposta ao público em frente á base do Monumento ao Cristo Rei. Há quem defenda que O Caminho de Fátima, para quem queira fazer a peregrinação sulista até Fátima, se deve iniciar aqui junto á Cruz Alta, ao invés de se iniciar por Lisboa na Igreja de Santiago, conjuntamente com o caminho de Santiago, e daí seguir junto á foz do Trancão. Para mim, desde que vá para Fátima, o Caminho de Fátima é aquele que o Peregrino quiser fazer. 

08 de Abril de 2016, 14h 41m, Entrada principal Monumento a Cristo-Rei, Pragal, Almada, Portugal.

08 de Abril de 2016, 14h 41m, Entrada principal Monumento a Cristo-Rei, Pragal, Almada, Portugal.

08 de Abril de 2016, 14h 37m, Entrada principal Monumento a Cristo-Rei, Pragal, Almada, Portugal

08 de Abril de 2016, 14h 37m, Entrada principal Monumento a Cristo-Rei, Pragal, Almada, Portugal

Efeméride: “Estamos vivendo o tempo da misericórdia. Este é o tempo da misericórdia. Existe tanta necessidade de misericórdia, e é importante que os fiéis leigos a vivam e a levem aos diferentes ambientes sociais. Adiante!” Palavras do início do discurso do Papa Francisco anunciando a celebração de um Ano Santo Especial, Jubileu da Misericórdia 2015-2016. Começou no dia 08 de Dezembro de 2015, com a abertura da Porta Santa na Basílica Vaticana, e terminará no dia 20 de Dezembro de 2016 com a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Altares do Mundo, Cristo-Rei dos meus olhos.

10 De Abril de 2016. 14h30. Chego ao Santuário Nacional de Cristo-Rei, ou simplesmente Cristo-Rei, literalmente ao sabor do vento. Um oásis de paz, onde as sombras do passado se confundem com as luzes do presente. Ao longo do caminho este mantra é interrompido pela insustentável leveza do voar de um besouro, onde experimento uma sensação de nostalgia. Dá a sensação de o tempo querer parar. Á medida que nos aproximamos do cimo do morro do Pragal começa-se a ouvir o vozeirão do trânsito no “garrafão” da Ponte 25 de Abril rasgando a melodia do silêncio do Santuário. O apitar do comboio da Fertagus, á saída da boca do túnel do Pragal, como que saúda o Cristo-Rei devolvendo-lhe depois a tranquilidade que o profano lhe furtara. À medida que os nossos passos se aproximam do Monumento a Cristo-Rei, um grilo, talvez uma cigarra, não sei, emudece o canto libertando os nossos instintos. Liberto-me da pressão do dia-a-dia e entrego-me à descoberta do eu. 

20 de Janeiro de 2008, 16h07m, Santuário do Cristo Rei, Pragal, Almada

20 de Janeiro de 2008, 16h07m, Santuário do Cristo Rei, Pragal, Almada

Passamos pelo jardim bem tratado onde estão plantadas dúzias e dúzias de oliveiras lembrando-nos que independentemente das situações nas nossas vidas nós devemos perseverar como a oliveira na presença de Deus. Tanto o Monumento a Cristo-Rei, bem como todo o Santuário, são de inspiração cristã professada pela Igreja Católica Romana. Num passado recente o chão deste local estava pejado com uma macia alcatifa de trevos verdes e azedas amarelas, mesmo ao lado do Santuário Nacional dedicado ao Sagrado Coração de Jesus. Recuando no tempo, o maior dos nossos luxos, lembro-me dos tempos do liceu, no Emídio Navarro, em Almada, aquando dos meus anos “ sixties” na década de 80 do século passado. Quando saía das aulas, por volta das 18h30m, outras vezes 19h15m, ia a pé até á Av. D. Afonso Henriques onde, em frente ao Café Central, apanhava o autocarro para ir para os treinos de futebol no campo do Almada. Verdade. No “nosso” saudoso Almada Atlético Clube. Ali, na avenida, depois apanhava o autocarro, o Nº 1, que ia para o Cristo-Rei. A primeira carreira urbana de transporte de passageiros, com direito a horário e calendarizada, em Almada foi esta. O Nº 1. O autocarro saía de Cacilhas, subia a avenida central até virar á direita para as Torcatas. Subia a avenida do Cristo Rei, parando junto ao campo do Almada.

08 de Abril de 2016, 14h 35m, Lisboa vista do Santuário de Cristo-Rei, Pragal, Almada, Portugal

08 de Abril de 2016, 14h 35m, Lisboa vista do Santuário de Cristo-Rei, Pragal, Almada, Portugal

Depois, ainda me recordo muito bem dos “crosses” que fazíamos nos treinos, com o mister Jurado, correndo junto ao Santuário e descendo até “lá baixo” junto ao mar, para a direita e a caminho do Olho-de-boi até em frente ao Cristo-Rei. Subir depois é que eram elas. O Santuário do Cristo Rei fica localizado na Área Metropolitana de Lisboa, bem no centro da Margem Sul, mais concretamente na freguesia do Pragal, no concelho de Almada. Este ex-libris da cidade de Almada, situado num morro a uma altitude de 113m acima do nível do Tejo, é o melhor miradouro da Margem Sul para a cidade de Lisboa. Bem lá no alto e ao lado da base do monumento ao Cristo Rei, em dias com boa visibilidade, olhando sempre em frente e para a nossa direita, vê-se toda a cidade de Lisboa, até Santa Apolónia. Rodando para a nossa esquerda, continuando com a visão na horizontal, vê-se muito bem toda a linha do Estoril até Cascais. Descendo um pouco o nosso raio de visão, até á nossa cintura, vê-se muito bem lá em baixo e em todo o seu esplendor, o rio Tejo vindo de Vila Franca de Xira pelo mar da Palha, passando por baixo da Ponte 25 de Abril, indo desaguar na Trafaria, onde o Tejo se faz ao oceano Atlântico á boca do Bugio. Ao longo deste deslumbrante miradouro, cuidado e bem tratado, chama-nos particularmente á atenção 14 cruzes cristãs deitadas, cada uma delas simbolizando os Passos de Jesus Cristo na Via Sacra, desde a I Estação Jesus Condenado até á XIV Estação Jesus Sepultado. Avançando no tempo vem-me ainda á memória, sem dificuldade, a primeira vez que eu, a Ana e a Andreia, subimos “lá a cima” ao Cristo-Rei. Era assim que se dizia na altura, em Fevereiro de 1994. Os meus álbuns de viagem, cheios de bilhetes, recortes de jornais, fotos, facturas e outras tralhas recolhidas ao longo dos tempos, assinalam este acontecimento na tarde domingueira de 13-02-1994. Os custos dos bilhetes da subida no elevador perderam-se na memória dos tempos. Hoje, 4€ por pessoa.

08 de Abril de 2016, 14h 39m, Lisboa vista do Santuário de Cristo-Rei, Pragal, Almada, Portugal,

08 de Abril de 2016, 14h 39m, Lisboa vista do Santuário de Cristo-Rei, Pragal, Almada, Portugal,

Bem lá no alto do pedestal, junto aos pés do Cristo-Rei, parece que ainda vejo a Andreia, pequenina e de colo, agarrar-se ao gradeamento de protecção do miradouro, e olhar lá para baixo vislumbrando na Praça da Portagem carros muito pequeninos pagando portagem a um fictício Caronte o Barqueiro. Ou motos, pequeninas, pequeninas, da GNR, lá em baixo, junto a um posto militar que havia na altura e que o tempo hoje apagou. A jusante, refletindo o Sol, as janelinhas envidraçadas da antiga Junta Autónoma Estradas, espelhavam o Tejo. Depois a compra dos tradicionais postais de recordação na loja de souvenirs. Á saída do Santuário o presente traz-me ainda recordações de um passado mais recente. As festas académicas da universidade, da Andreia, numa noite quente de Verão, nas escadas do Santuário a Cristo-Rei. O Desfile dos Finalistas, e depois a bênção e queima das fitas e do grelo. A Tuna académica do “Piaget” entoando as famosas cancões académicas. A Andreia trajando o traje académico da Felicidade pela noite a dentro foram momentos que nos tiram o fôlego. Recordações, boas recordações. A única bagagem de mão que levaremos na derradeira etapa da nossa Viagem. A nossa Viagem é, de facto, uma sucessão de irreparáveis desaparições. É verdade que não podemos viver do passado, mas eu, neste preciso momento presente, preciso delas manter no presente a minha sanidade mental. Porque a Viagem, a nossa Vida, não se mede pelo número de vezes que respiramos, mas pelos momentos que nos tiram o fôlego. Retiramo-nos, junto á Porta Principal de Entrada, passando pela Cruz Alta de Fátima, não sem antes a Andreia nos tirar as fotografias da praxe para mais tarde recordar. Deixo-vos, por agora, com algumas as palavras de Gabo. “A vida não é o que se viveu, mas sim o que se lembra, e como se lembra de contar isso.”  (Gabriel García Márquez, escritor colombiano, 1927 Colômbia, 2014-México). Marcamos no encontro?

Travel it’s what i make.

===================================================================================================================

II. TEMPLO DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS EM SANTA LUZIA, Viana do Castelo, Portugal.

Tarde de 21 de Agosto de 2008, Fachada principal e entrada do Templo Santa Luzia, Monte Santa Luzia, Viana do Castelo, Portugal.

Fachada principal e entrada do Templo Santa Luzia, Monte Santa Luzia, Viana do Castelo, Portugal. (Fotografia gamada da Internet)

Este Altar do Mundo, que hoje vos dou um pouco a conhecer, denomina-se O Santuário de Santa Luzia, também conhecido como Templo-Monumento de Santa Luzia, ou ainda Templo do Sagrado Coração de Jesus em Santa Luzia. Este templo de arquitectura religioso ecléctica é considerado propriedade privada pertencente à Igreja Católica da Diocese de Viana do Castelo. Está situado no cimo do monte de Santa Luzia, na freguesia de Santa Maria Maior, no concelho, cidade e distrito de Viana do Castelo, em Portugal. Inspirado e dedicado ao cristianismo, cultiva-se neste Altar do Mundo, a religião Católica Cristã, professada pela Igreja Católica Romana. Através da consulta aos horários do Santuário nós podemos assistir à Eucaristia de Preceito, Eucaristia da Semana, à Via Sacra, a Adoração do Santíssimo, até mesmo rezar o Terço ou, se for caso disso, podemos proceder às nossas Confissões. É um dos principais locais, senão mesmo o maior de todos eles, da profissão da Fé Cristã no Minho português, tendo como padroeiros Santa Luzia e o Sagrado Coração de Jesus. 

A cidade de Viana do Castelo, o rio Lima, o oceano Atlântico e Templo de Santa Luzia, vistos do Jardim das Tílias no Monte de Santa Luzia, Viana do Castelo, Portugal. (Fotografia gamada da Internet)

A cidade de Viana do Castelo, o rio Lima, o oceano Atlântico e Templo de Santa Luzia, vistos do Jardim das Tílias no Monte de Santa Luzia, Viana do Castelo, Portugal. (Fotografia gamada da Internet)

É um monumento rural, isolado, implantado no monte de Santa Luzia a uma altitude de uns bons 250 metros. Tem bons acessos rodoviários, igualmente servidos de bons acessos pedonais. Aliás o acesso pedonal é para mim o mais bonito e emblemático. É feito através de uma escadaria, ladeada e sombreada por eucaliptos onde pontificam diversas cruzes cristãs constituindo uma verdadeira Via Sacra para as liturgias cristãs que aqui se professam. Também os acessos ao Templo são servidos por um elevador, o Funicular de Santa Luzia. Deixo-vos aqui as características, bem como o contacto com os horários e preços dos bilhetes do funicular, nesta hiperligação: http://www.cm-viana-castelo.pt/pt/funicular-de-santa-luzia.

Tarde de 21 de Agosto de 2000, Este da cidade de Viana do Castelo vista do Templo de Santa Luzia, Monte de Santa Luzia, Viana do Castelo, Portugal.

Tarde de 21 de Agosto de 2000, Este da cidade de Viana do Castelo vista do Templo de Santa Luzia, Monte de Santa Luzia, Viana do Castelo, Portugal.

Nós, quando lá fomos, fomos pela estrada rodoviária, de carro, claro. A norte este templo tem como vizinhos a Pousada de Viana do Castelo bem como as ruínas da Citânia de Santa Luzia. Ainda a norte e encostado ao monumento, nas suas traseiras, tem o Jardim do Monte de Santa Luzia, também conhecido como o Jardim das Tílias. Por causa da sua localização geográfica, nomeadamente a sua altitude, na base deste “ex-libris” e cartão-de-visita da cidade de Viana do Castelo, virando o nosso olhar para sul, lá em baixo temos uma vista ímpar e deslumbrante da cidade de Viana do Castelo, namorando o Rio Lima e piscando o olho ao Oceano Atlântico a Oeste. 

Tarde de 21 de Agosto de 2000, Oeste da cidade de Viana do Castelo vista do Templo de Santa Luzia, Monte de Santa Luzia, Viana do Castelo, Portugal.

Tarde de 21 de Agosto de 2000, Oeste da cidade de Viana do Castelo vista do Templo de Santa Luzia, Monte de Santa Luzia, Viana do Castelo, Portugal.

Estudos histórico-académicos dizem-nos que o monte onde está implantado este Templo já era habitado desde a Idade do Ferro e da Romanização, como provam os achados arqueológicos nas redondezas do Castro de Santa Luzia, ou Citânia de Santa Luzia. Acredita-se que Viana do Castelo “nasceu” aqui. Na Idade Média foi aqui edificada uma capela dedicada a Santa Águeda do Monte. A partir do século XVIII a mesma é consagrada a Nossa Senhora da Abadia. A partir desta altura cresce no Minho português a devoção à Virgem Mártir protectora da visão, Santa Luzia, originado a mudança de nome do padroeiro do Templo. Nos fins do século XIX, o militar Capitão de Cavalaria, Luís Andrade de Sousa, acometido por uma doença oftalmológica desde a nascença, começa a frequentar o Templo de Santa Luzia ordenando missas em honra da Santa na esperança de que a mesma o curasse desta maleita. Conta a lenda que passado algum tempo o militar ficou deslumbrado com a sua melhoria de visão quando no cimo do monte vislumbrou com nitidez toda a área da cidade de Viana, bem como o horizonte delineado pelo rio Lima e pelo oceano Atlântico. Em sinal de agradecimento à Santa fundou, posteriormente a este milagre, a Confraria de Santa Luzia, da qual foi o seu primeiro presidente. A Confraria de Santa Luzia tinha, e ainda tem, a missão de promover e divulgar o culto à padroeira da visão, bem como zelar pela requalificação e manutenção do Santuário. Em traços gerais, muito geral, a história da edificação do Templo resume-se ao que anteriormente escrevi, graças á pesquisa actual que fiz na Internet bem como à “tralha” que trouxe de recordação do local aquando da nossa passagem pelo mesmo. Caso pretendam mais informação cultural e história, mais precisa, deixo-vos alguns contactos dos endereços electrónicos da minha pesquisa: http://www.templosantaluzia.org/  e ainda http://ncultura.pt/santa-luzia-viana-do-castelo

Tarde de 21 de Agosto de 2000, Zimbório do Templo Santa Luzia, Monte de Santa Luzia, Viana do Castelo, Portugal.

Tarde de 21 de Agosto de 2000, Zimbório do Templo Santa Luzia, Monte de Santa Luzia, Viana do Castelo, Portugal.

Tarde de 21 de Agosto de 2000, Zimbório do Templo Santa Luzia, Monte de Santa Luzia, Viana do Castelo, Portugal.

Tarde de 21 de Agosto de 2000, Zimbório do Templo Santa Luzia, Monte de Santa Luzia, Viana do Castelo, Portugal.

No já longínquo ano de 2000, eu, a Ana, a Andreia e a minha irmã Paula, empreendemos uma viagem de carro, no velhinho Opel Corsa, durante mais ou menos oito dias e sem “nada marcado”, além da rota a seguir, por terras de Espanha. Saímos de Portugal, passávamos por Espanha, e regressávamos a Portugal. De Sul para Norte. De Norte para Este. De Este para Sul e depois regressávamos a casa, a Oeste. Nessa tarde de 21 de Agosto de 2000 o meu diário de viagens assinala a nossa visita ao Templo do Sagrado Coração de Jesus em Santa Luzia. Da visita a este Santuário ficou-me retido e bem ancorado na minha memória a visita ao Zimbório do Templo. Para melhor perceberem a coisa esta é a hiperligação electrónica ao diário dessa viagem. https://euaosabordovento.wordpress.com/2000-espanha/. Aqui, bem no alto do Zimbório do Templo, entendi na perfeição o poema Mar Português de Fernando Pessoa: “ Ó Mar Salgado, quanto do teu Sal, são Lágrimas de Portugal”.  Tenho poucas fotos desta efeméride. Nesse tempo não possuía máquina fotográfica digital e as fotos eram captadas com uma Kodak com películas em rolo de filme. Pois. Foram captadas através de rolos, AGFA e KODAK,  de negativos a Cores para Máquinas Fotográficas Analógicas. Não havia muito “pilim” e o nosso “orçamento” estava limitado a um rolo de 25 fotos por dia. Pois malta, é o que arranja. Para terminar a minha prosa sobre a nossa visita a este ALTAR DO MUNDO, deixo-vos algumas palavras de uma grande Fadista portuguesa, em alusão a Viana do Castelo, enquanto contemplam Santa Luzia. Marcamos encontro noutro ALTAR DO MUNDO?

“ Ó meu amor de algum dia

Havemos de ir a Viana

Se o meu sangue não me engana

Havemos de ir a Viana.”

(extrato do Fado Havemos de ir a Viana, de Amália Rodrigues, fadista lusa, 1920-1999)

Sobreda, 16 de Maio de 2016.

==================================================================================================================

III. CATEDRAL DE SANTIAGO DE COMPOSTELA, Santiago de Compostela, Galiza, Espanha.

012_20000822_M_Fachada do Obradoiro_Catedral Santiago Compostela_Praza do Obradoiro_Santiago Compostela_Espanha

Manhã de 22 de Agosto de 2000, Fachada do Obradoiro, Catedral Santiago Compostela, Praza do Obradoiro_Santiago Compostela, Galiza, Espanha.

Designação. O Altar do Mundo que hoje vos dou um pouco a conhecer foi o primeiro que visitámos fora de Portugal, e é, sombra de dúvida, um dos mais importantes santuários católicos do Ocidente: a Catedral de Santiago de Compostela. Deve o seu nome ao Santo Padroeiro e protector de Espanha, Santiago Maior. Os restos mortais deste Santo Padroeiro repousam num sepulcro no interior deste santuário religioso. Localização. Está situado em Espanha, mais precisamente e sem margem de erro, no Noroeste da Península Ibérica, na comunidade autónoma espanhola da Galiza (Galícia em espanhol), sendo o seu epicentro na cidade de Santiago de Compostela em plena Plaza do Obradoiro. Galiza essa que até ao início do século XIX era conhecida como Galécia, ou Reino da Galiza, e é formada pelas províncias espanholas da La Coruña, Lugo, Ourense e Pontevedra, sendo que Santiago de Compostela é a capital política da província da Corunha, em espanhol La Coruña. Religião. Catedral inspirada e dedicada ao cristianismo, cultivando-se neste Altar do Mundo, a religião Católica Cristã, professada pela Igreja Católica Romana. É um dos principais locais, senão mesmo o maior deles todos, da profissão da Fé Cristã no Minho espanhol, tendo como padroeiro São Tiago Maior, também apelidado por Jesus, ele e o seu irmão João, de Boanerges, ou seja, Filhos do Trovão, devido ao carácter intempestivo dos irmãos. É também um local venerado pela Igreja Anglicana e algumas igrejas Bizantinas, também apelidadas de Igrejas Orientais. Enquadramento paisagístico. A Catedral é um monumento religioso românico do tempo das Cruzadas e das Reconquistas, embora ao longo dos tempos tenha tido o seu perfil arquitectónico alterado com motivos góticos, renascentistas e barrocos. Está implantado na cidade espanhola de Santiago de Compostela, bem no centro da Plaza do Obradoiro. É um monumento religioso urbano, citadino, localizado exactamente no fim do antigo caminho de peregrinação medieval: O Caminho de Santiago. Tem bons acessos rodoviários, igualmente servidos de bons acessos pedonais. Em frente à sua fachada principal a Catedral tem ainda, entre outros, o edifício do Ayuntamiento de Santiago de Compostela nos Paços de Raxoi, (Rajoy, em Castelhano). 

013_20000822_M_Fachada do Obradoiro_Catedral Santiago Compostela_Praza do Obradoiro_Santiago Compostela_Espanha

Manhã de 22 de Agosto de 2000, Fachada do Obradoiro, Catedral Santiago Compostela, Praza do Obradoiro, Santiago Compostela, Galiza, Espanha.

História: De acordo com estudo recente sobre São Tiago Maior o mesmo teria nascido na Galileia e morrido em Jerusalém, em 44 D.C. Foi um dos doze discípulos de Jesus, recebendo o nome de Tiago Maior (mais velho) para o diferenciar do outro discípulo de Jesus com o mesmo nome de Tiago. Sendo que este último recebeu o nome de Santiago Menor, (mais novo). De acordo com alguns factos históricos após a sua morte, decapitado em Jerusalém por ordem de Herodes Agripa, os seus restos mortais teriam sido transladados para a Galiza numa barca de pedra. O túmulo seria abandonado no século III devido às perseguições romanas aos cristãos na Galícia. De acordo com uma lenda local o túmulo seria descoberto na segunda década do século IX por um eremita de seu nome Pelágio. Afonso II das Astúrias e Galícia mandou erigir então no local uma capela para prestar culto ao Santo tornando-se ele próprio no primeiro peregrino do Santuário. Em 829 da nossa era for construída no local uma igreja primitiva. Foi substituída por uma outra em estilo pré-românica, em 899 da nossa era, a mando de Afonso III, tornando-se ao longo do tempo um importante local de peregrinação. No verão de 997, Almançor, o governador do Califado de Córdova, após a conquista da Galícia aos cristãos, destruiu o templo mas respeitou o Sepulcro o que permitiu a continuidade dos Caminhos de Santiago. A Catedral actual que nós visitámos foi construída em 1075, em estilo românico e acabada em 1088 durante o reinado de Afonso VI, O Bravo. Após várias interrupções a segunda fase da construção decorreu de 1100 a 1140. A terceira e última fase da sua construção ocorreram entre 1168 até à sua consagração em 1211, na presença de Afonso IX de Leão. Ao longo dos séculos seguintes a Catedral seria ainda objecto de ampliações e reformas, tanto por fora como por dentro, até atingir à sua forma actual. A Catedral de Santiago de Compostela é Património Mundial da UNESCO desde 1985. 

014_20000822_M_Fachada do Obradoiro_Catedral Santiago Compostela_Praza do Obradoiro_Santiago Compostela_Espanha

Manhã de 22 de Agosto de 2000, Fachada do Obradoiro, Catedral Santiago Compostela, Praza do Obradoiro, Santiago Compostela, Galiza, Espanha.

A Peregrinação dos Caminhos de Santiago. Quase todos nós conhecemos ou já ouvimos falar de e sobre os Caminhos de Santiago. Vamos à sua resumida história. Após o achado das relíquias de Santiago, no início do século IX, Afonso III das Astúrias promoveu uma intensa divulgação do achado das mesmas por toda a Europa Cristã, originando com isso grandes peregrinações de fiéis a Compostela. Em 850, da nossa era, Godescalco, o bispo franco da diocese de Le Puy é considerado o primeiro peregrino estrangeiro documentado. Em 1140 os Reis Ibéricos promovem a construção de vários edifícios mosteiros clunicenses, ao longo de vários caminhos pelo Norte da Ibéria, como forma de apoio à peregrinação ao local, criando assim Os Caminhos de Santiago. A Bula Regis aeterni, outorgada em 1179 pelo Papa Calisto II, concedeu ao peregrinos privilégios segundo o qual nos anos em que o dia de Santiago, 25 de Julho, coincidisse com um domingo a peregrinação a Compostela dava aos seus peregrinos as mesmas graças que eram concedidas aos peregrinos de Roma nos anos Jubilares comemorados em cada 25 anos. Devido à Reconquista, ao Grande Cisma do Ocidente em 1378, guerras, fome, peste negra e outros acontecimentos funestos, o certo é que desde a Idade Média até aos nossos tempos os Caminhos de Santiago perderam muita da sua importância. Até que em 1993 o Governo da Galiza promove um programa de renovação e intensificação dos Caminhos de Santiago através do programa Xacobeo 93. Inicia-se assim o chamado turismo religioso com rotas devidamente sinalizadas, como são o caso das rotas pelos Pirenéus de Aragão e de Navarra, Roncesvalles, Pamplona, Logroño, Burgos, Leon, Astorga e Ponferrada. Rotas com início em França e até mesmo a partir de Portugal são introduzidas no Xacobeo 93. De salientar a construção de novas infraestrutura de apoio ao Caminho, pelas Comunidades Autónomas Espanholas, contribuindo para uma melhoria da qualidade da Peregrinação bem como atraindo benefícios turísticos e económicos as populações e localidades por onde as rotas passam. A exemplo de outros locais de peregrinação religiosa também as Rotas e a Peregrinação foram perdendo alguma da sua inocência inicial. Exemplo disso é a emissão, no fim da rota, de uma “Compostela”, na Oficina do Peregrino, a atestar que fez a pé os últimos 100 Km do caminho a pé, ou por exemplo, os últimos 200 Km do caminho de bicicleta. Para isso tem de estar munido antecipadamente de uma Credencial do Peregrino onde, ao longo do Caminho, a mesma é carimbada em igrejas, albergues, postos de Turismo atestando o percurso pedestre ou ciclo viário do Peregrino. Os Caminhos de Santiago de Compostela são Património Mundial da UNESCO desde 1993. 

015_20000822_M_Fachada do Obradoiro_Catedral Santiago Compostela_Praza do Obradoiro_Santiago Compostela_Espanha

Manhã de 22 de Agosto de 2000, Fachada do Obradoiro, Catedral Santiago Compostela, Praza do Obradoiro, Santiago Compostela, Galiza, Espanha.

A Viagem: Espanha. 22 De Agosto de 2000. 10h 30m da manhã. Céu nublado de uma cor cinzento prateado. O Céu ameaça chuva. Havemos de a encontra lá mais para a frente. O Verão não quis atravessar a raia. Desde o luzir da aurora que temos vindo a rolar com o Opel na estrada, desde a Pousada da Juventude em Vila Nova da Cerveira, até nos determos demoradamente em terras galegas de Santiago de Compostela, uma das cidades capitais europeias da cultura neste ano de 2000. Finalidade: ir em peregrinação ao Santuário de Santiago de Compostela. Estacionamos o Opel Corsa na Praça do Obradoiro que aqui na Galiza se pronuncia Praza do Obradoiro. Deve o seu nome às oficinas que aqui se localizavam durante as obras de construção da Catedral e é aqui o ponto zero de todos os caminhos de Santiago. Em frente, à sede do governo galego, no Paço de Raxoi, peregrinos de vários tamanhos e cores, bem como pequeninos escuteiros de tons castanhos e azuis, todos em fila pirilau e cantando línguas estranhas, dirigem-se para a entrada da Catedral de Santiago de Compostela. Todos seguram pelo mão um caminheiro que não te pede nada: um cajado comprido, encimada com uma Vieira, ou concha, pintada com uma cruz vermelha simbolizando a Ordem Militar e Religiosa de Santiago. Seguimo-los . Também eles, assim como nós, se dirigem para o interior da Catedral para uma visita litúrgica ao túmulo de Santiago Maior, Santo Padroeiro e protector de Espanha. O grito de guerra espanhol das eras medievais das reconquistas espanholas à mouraria era esse mesmo dedicado ao seu padroeiro: “Santiago y cierra, España!”. Entramos pelo lado ocidental e subimos, lenta e demoradamente, a escadaria que nos transmite uma energia e vibração fantástica. Imobilizamo-nos , por breves instantes,  no Pórtico da Glória de inspiração arquitectónica de Mestre Mateus (1168?) para apreciarmos a sua ímpar beleza românica. Hoje já pouco resta do seu traço original. Entramos. Definitivamente. Lá dentro da Catedral, solenes padres transportando defumadores, fumegam ervas aromáticas, (incenso, mirra?), deixando por toda a nave um enjoativo e intenso nevoeiro litúrgico. Silenciosamente oram-se rezas imperceptíveis junto ao túmulo do Santo Padroeiro, Tiago Maior, do qual nos aproximamos pé ante pé. Há muitas teorias para a origem e significado do nome Compostela. A lenda mais divulgada é que a mesma deriva do latim Campus Stellae, Campo da Estrela, que alude ao facto de ter sido aqui neste local que uma “estrela” indicou ao bispo Teodomiro a localização deste túmulo. Relembro que esta “milagrosa” descoberta ocorreu numa era em que o rei católico espanhol Afonso II estava hipnóticamente empenhado em manter a coesão cristã do seu reino daí que esta teoria seja a mais divulgada pela cristandade e não só. Passamos pelo interior da catedral. Eu pareço um burro a olhar para um palácio. Não vos consigo descrever por palavras, talvez só por lágrimas, toda a beleza ecuménica interior da Catedral. A beleza de uma “A exaltação de San Pedro” na abóbada da capela da Açucena ou os detalhes ecuménicos da Capela-mor, são criações geniais que não estão ao alcance do mortal comum.  Toda esta beleza arquitectónica religiosa documenta os movimentos da Fé e eu não a sei exprimir por palavras. Saímos desta visita de médico não sem antes também colocarmos as nossas mãos na coluna do Pórtico da Glória, com marcas profundas dos cinco dedos das mãos de milhares de pessoas aqui rezam e agradecem singelamente o Milagre da Vida. Hoje ainda recordo com um sorriso quando a Andreia também lá colocou a sua mãozinha tão pequenina que dava para por as duas ao mesmo tempo e ainda sobrava espaço. Saímos céleres para a rua. Temos de admitir que, provavelmente, não fomos os melhores “peregrinos” em Santiago de Compostela, mas também não é a quantidade que nos norteia, mas sim a qualidade dos nossos corações. Mais Espanha nos esperava pelo caminho. Sobreda, manhã 20 de Setembro de 2016.

P.S. Deixo aqui os endereços da www, na internet, que julgo serem úteis para uma melhor identificação de Santiago de Compostela:

http://www.xunta.gal/portada, http://www.santiagodecompostela.gal/, ttp://www.rutasasantiago.com/

Citação: “Eis aqui o mistério da fé que com firmeza professamos”

(Lema do antigo Reino da Galiza, e lema atual do brasão de armas da cidade de Lugo).

Travel it’s what i make.

==================================================================================================================

Site no WordPress.com.

%d bloggers like this: