ESTA É A MINHA PRAIA

I.                   ESTA É A MINHA PRAIA

ESTA É A MINHA PRAIA pretende ser um conteúdo pessoal e muito meu de divulgação e porque não, de promoção turística, das praias que nos foi dado ver e usufruir durante a minha, (ou a nossa), Viagem. Claro que nem todos nós gostamos de praias. Outras pessoas gostam do campo, outras da montanha e algumas até de cidades. Ninguém está certo e ninguém está errado. Gostos não se discutem. 

22 De Agosto de 2015, 15h16m, Praia do Bexiga, Costa da Caparica, Setúbal, Portugal.

22 De Agosto de 2015, 15h16m, Praia do Bexiga, Costa da Caparica, Setúbal, Portugal.

Na minha, perdão, na nossa Viagem foi-nos dada pois a Felicidade de vermos praias com as mais variadas características, tais como praias oceânicas e ou fluviais, com areia, seixo, calhaus ou até mesmo rochosas, perpendiculares a um mar ou a um oceano ou ainda paralelas a uma margem de um rio ou á borda de um lago. Desertas ou com vegetação. Com ondas ou sem ondas, de águas mornas ou águas nem por isso, em Portugal e no estrangeiro. E porque é de Felicidade que aqui se trata vou pois aqui partilhar convosco alguns momentos desta nossa Felicidade passadas nalgumas praias da nossa Viagem. Porque, caros viajantes, a Felicidade ao ser compartilhada nunca diminui e gente Feliz nunca chateia. Vou em cada uma das crónicas tentar elencar os nomes delas, onde as praias se localizam, os seus acessos, características, falar de segurança, lazer, gastronomia e no fim escrever algo muito meu sobre essa praia. Com uma foto ou duas se o calção de banho o permitir. Estendam a toalha, ponham o protetor solar e usufruam dos benefícios que a praia pode vos oferecer ao vosso corpinho. Vamos? Travel it’s what i make.

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II.                PRAIA DO PARAÍSO, PRAIA DO DRAGÃO VERMELHO E PRAIA DO BEXIGA. COSTA DA CAPARICA, PORTUGAL.

Começo por vos falar sobre a minha primeira praia que comecei a frequentar desde que me conheço como gente: as praias, sim plural, da Costa de Caparica, em geral, e mais em concretamente as praias do Paraíso, do Dragão Vermelho e do Bexiga. No início da minha Viagem estas foram as minhas primeiras praias. Da minha infância, da minha adolescência, juventude e fase adulta. Praia do Paraíso, Praia do Dragão Vermelho e Praia do Bexiga. Sim, juntas umas às outras. Ficam na cidade da Costa de Caparica, concelho de Almada, Distrito de Setúbal, em Portugal. A bem dizer pode-se afirmar com toda a justiça que existem mais de cinco dezenas de praias com nomes diferentes e que geograficamente vão desde a Trafaria até á Fonte da Telha. Todas estas praias são parte integrante da chamada Frente Atlântica do Concelho de Almada. As que eu aqui menciono situam-se de frente para o Oceano Atlântico e fazem parte de um conjunto de praias chamadas de Praias da Vila da Costa.

22 De Agosto de 2015, 16h 45m, Avenida General Humberto Delgado, Costa de Caparica, Setúbal, Portugal.

22 De Agosto de 2015, 16h 45m, Avenida General Humberto Delgado, Costa de Caparica, Setúbal, Portugal.

Pode-se chegar à Costa de Caparica até de avião. O mar é grande. Mais a sério. Podemos ir de barco, particular é claro, de carro particular ou ainda de transportes públicos. Aconselho os transportes públicos. Não queiram depois estar de regresso a casa, em plena Via Rápida da Caparica, pelas 5 ou 6 horas da tarde à torreira do Sol, em filas de espera de 4 a 5 horas para entrarem em Lisboa. Para quem vem de Lisboa, pela ponte 25 de Abril, ou de mais a Sul, há transportes públicos desde Cacilhas, em Almada até á Costa. Se vier de barco, vem de Belém até a Trafaria, e depois é só apanhar o autocarro na Trafaria até à Costa. No Verão há também autocarros públicos da Carris que fazem o percurso alfacinha Marquês de Pombal, Caparica, Marquês de Pombal. Desiludam-se: não há metro nem comboio que sirvam estes areais. São praias oceânicas, rasas, planas e de areia fina. O areal que vai desde a Trafaria até á Fonte da Telha tem uma extensão aproximada de quase 15 km. Cuidado ao nadar neste mar. A água do mar em dias de Verão é fresquinha e tranquila mas há que ter muito cuidado com as correntes e os agueiros que facilmente se formam, não raras vezes, á beira-mar. Devido aos ventos alísios e às marés oceânicas do Atlântico que convivem na proximidade com o Estuário do Tejo, quase todas as praias, (as mais a norte são as melhores), são do melhor que se encontra em Portugal para praticar surf, bodyboard, windsurf, paddle surf e outras atividades náuticas. Exemplo disso é o festival anual Caparica Primavera Surf Fest que se vem realizando anualmente de alguns anos a esta parte, no mês de Março, junto à Praia do Paraíso.  Há escolas junto às praias para todos os aventureiros, miúdos e graúdos, que queiram cavalgar estas as ondas.

22 De Agosto de 2015, 15h 16m, Praia do Bexiga, Costa da Caparica, Setúbal, Portugal.

22 De Agosto de 2015, 15h 16m, Praia do Bexiga, Costa da Caparica, Setúbal, Portugal.

Há quem também faça caminhadas pelos areais. Tanto a Costa da Caparica como o Município de Almada promovem actividades de lazer, culturais e desportivas junto às praias. Alguma delas até na época baixa. Com e sem guia. O kitesurf também é apreciado por estes lados. a maioria das praias é vigiada durante o Verão por equipas de Nadadores-Salvadores do I.S.N. Tem parques de estacionamento para quem traz a sua própria viatura. A pagante, claro. E, muito importante, meus amigos: a ECALMA não brinca em serviço e não perdoa infrações ao código da estrada. Se prevarica tem de assumir o prejuízo. Também há restaurantes e bares de apoio, durante o Verão, em algumas praias. Na Costa da Caparica há um quartel de bombeiros voluntários que fica a 5 minutos a pé da frente destas praias. O I.S.N. e a Policia Marítima prestam todo o apoio e auxílio que é sempre louvável. O Hospital de Almada, o Garcia D´Orta, fica a uns bons 10 minutos de distância das praias para assistência em casos de socorrismos extremos. Já houve em tempos algumas praias com Bandeira Azul. Uns anos são umas outros anos são outras com a prestigiada Bandeira Azul. De faca e garfo, Meus bons viajantes, aqui, na Costa da Caparica, comem do melhor peixe e do melhor marisco fresquinho pescado em águas territoriais portuguesas. Algum desse pescado, asseguro-vos, vem deste maravilhoso mar que fica a meia dúzia de metros de uma vasta oferta de restaurantes junto às praias. Há mais de 25 anos e entre Fevereiro e Março que a Junta Freguesia Costa da Caparica organiza o famoso concurso gastronómico de Concurso de Caldeirada á Pescador, nos restaurantes da Costa de Caparica. Imagem de marca do concelho de Almada, este concurso tem a particularidade de juntar o pescado do mar da Caparica com os vários produtos hortícolas cultivados nas Terras da Costa. E agora vamos lá para a praia.

Nos vemos na Costa de Caparica.

Foto captada na tarde de 21-12-2014, na Praia do Dragão Vermelho, em Costa da Caparica.

Foto captada na tarde de 21-12-2014, na Praia do Dragão Vermelho, em Costa da Caparica, Setúbal, Portugal.

Manhã de Sol de 12 de Novembro de 2013. Sento-me no areal dourado, ironia das ironias, da praia do Dragão Vermelho. A praia do Dragão Vermelho, na Costa da Caparica, é parte da minha vida, qual tatuagem, quase como que uma segunda pele. Estico as pernas e escrevo. Escrevo porque tenho receio de não estar a escrever quando ouvir o apito final do comboio para a derradeira viagem. Olho, penso e escrevo. Por isso permitam-me que vos mostre um dos postais ilustrados das praias da Costa da Caparica. Duas senhoras balzaquianas passeiam pela praia com as suas roupas florescentes, em fibra polar, coladas ao corpo. Conversam, julgo eu, num idioma eslavo. No praia-mar junto ao calçadão e com água pelos tornozelos, um pescador lança o anzol da sua cana de pesca para lá longe no horizonte. De passos lentos, caminhando pela areia que se acumulou no alcatrão do calçadão, passam por mim pessoas com alguma idade e outras nem tanto, falando entusiasticamente sobre futebol. Três surfistas vestem o seu fato isolante de neopreno, colocam cera nas suas pranchas de surf, calçam os “bicos de pato” e entram na água. Mais tarde vê-los-ei entrar pelo mar a dentro, desafiando o vento e cavalgarem ondas apelativas cheias de espuma branca com sabor a sal. Por detrás de mim e ainda no areal, meia dúzia de pescadores consertam redes, à ravessa dos seus barcos de pesca chamados Arte de Xávega. Discutem entre si sobre quem é o mais hábil a safar “pandas” (pequenas pranchas de cortiças rectangulares e flutuadoras das redes de pesca da Arte). O Sol brilha. Mas está frio. O Céu está limpo isento de manchas brancas o que nos permite ver ao longe, com boa visibilidade, a serra de Sintra e o seu Palácio da Pena. Aos seus pés Lisboa estende-se para lá da linha de Cascais. Passam por mim um casal de ciclistas pedalando juras de amor eterno a julgar pelos seus sorrisos marotos e olhares cúmplices. Um grupo de atletas de fim-de-semana passa por mim, também nos seus fatos de treino de fibra polar, caminhando, passeando, namorando e combinando entre eles e elas lanches para as cinco da tarde. Não necessariamente por esta ordem. Olho para a minha direita e vejo a Praia do Paraíso onde já não se encontra lá, na sua esquina, a tão famigerada bola da Nívea da minha infância. Quem não se lembra da bola da Nívea, na praia do Paraíso, onde marcávamos encontros para um jogo de bola na praia? Ou outros desencontros? Ainda agora parece que vejo e oiço o senhor Daniel dos bolos, (paz á sua alma), arrastando pelas areias macias do Verão o seu imaculado carro de mão todo branco, apregoando pelo areal “Olha a bela da bola de Berlim! Há com e sem creme!” Lembram-se do senhor Daniel dos bolos? E da Cabine de Som, onde se ouvia músicas da rádio debitadas pelos seus altifalantes ao longo das praias e onde, volta e meia, se apregoava pelo areal que se encontrava junto á Cabine de Som uma criança perdida? E os anúncios publicitários dos restaurantes “400”, “Porto de Abrigo” e “ Restaurante O Bento” com os pregões dos menus do dia? Bons tempos? Talvez. Mas quem faz os tempos são as pessoas. Pessoas como nós. Olho para a minha esquerda e o Sol brilha com tanta intensidade que me ofusca a visibilidade e a visão em direção á Fonte da Telha. Já não se vê o comboio do Transpraia nem a sua linha ferro-carril que levava os banhistas para as praias mais a sul. Assim como a tribo dos Banhistas foi extinta para dar lugar á tribo dos Turistas. Os bares modernos, em toda a correnteza da praia estão encerrados. Talvez para férias. Antigamente eram mais coloridos, cheios de vida e glamour. Assim como todas as casas de praia que dantes aqui havia romanticamente construídas em madeira e pintadas em tons pastel art deco, plantadas paralelamente ao mar. Serviam de casas de praia para as gentes da cidade. O que na altura, diga-se, era muito chique ter uma casa de praia. (Acho que hoje ainda é). Ao meu lado vejo postes de iluminação que vão ficando corroídos pelo salitre que circula no ar vindo do mar. Dizem que é o iodo do mar. Eu, apaixonadamente, apelido este ar de maresia. Poético? Talvez. Mas a maresia do mar da Caparica, meus amigos, é um poema para os nossos sentidos.

Manhã de 12 de Novembro de 2013, Praia do Bexiga, Costa da Caparica, Setúbal, Portugal.

Manhã de 12 de Novembro de 2013, Praia do Bexiga, Costa da Caparica, Setúbal, Portugal.

A meia dúzia de passos há barcos da Arte de Xávega deitados no areal, com a quilha para cima, tomando banhos de Sol. Dizem que faz bem á pele. Ao seu lado, dormitando na modorra, tratores com caixotes vazios de pescado, bocejam por entre os oleados coloridos que os cobrem. Têm nomes sentimentais. Os barcos. “A mar a Costa”.”Canope”. “Amor de mãe”. “Princesas do Mar”. “Isilda Felisbela” “Mãe e filhos” Desperto deste torpor ao som de passadas vigorosas de atletas a sério, de cronómetros no braço e outros gadgets estranhos. Os seus óculos escuros, de marca e de lentes coloridas, com design aerodinâmico, parecem aqueles esquiadores nórdicos saídos de uma competição de cross country em esqui. Acabo a escrita. Vou ali á vila beber um café. Lá longe, no mar, o troar das vagas de sudoeste trazem-me ao presente. Volto a casa ou estarei em casa? Passo ainda pelos espartanos bancos de betão em cor branco, que se encontram no calçadão, onde Tarzans fazem flexões e abdominais. Passo de saída pelo lugar onde dantes se comia as melhores farturas das e nas praias da Caparica: “Delícias da Praia”. Um acolhedor estabelecimento que aqui havia a meio da praia do Dragão Vermelho. Hoje já não existe. Os anos aproximaram-se silenciosamente. As praias mudam e nós temos de mudar com elas senão corremos o risco de ficarmos presos no passado. Às vezes, em viagem, procuramos coisas diferentes e encontramos coisas parecidas. Por vezes basta o passado como fio condutor de uma viagem. Às vezes parece uma boa desculpa para voltar a esse lugar inocente chamado passado. O passado é um bom lugar para se visitar. Mas não é um bom lugar para se lá ficar. P.S. Como alguém uma vez disse: “A mim oque me acalma não é água com açúcar. É água com sal.” Deixo-vos, por agora e no areal, com as palavras de um grande escritor português.  

“A grande originalidade não é dizer coisas novas mas ser novo diante das coisas velhas.”

(Vergílio Ferreira, escritor português, 1916 – 1996)

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