MOUSEÎON.OU.

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Tarde de 09-06-2016, Stadtverwaltung Frankfurt, Römerberg 23, Frankfurt am Main, Hesse, Alemanha.

De acordo com o ICOM International Council of Museums, Conselho Internacional de Museus, um Museu é “ “uma instituição permanente, sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público e que adquire, conserva, investiga, difunde e expõe os testemunhos materiais do homem e de seu entorno, para educação e deleite da sociedade”. Apesar de a semântica nos dizer que a palavra Museu deriva da palavra grega mouseion é certo é que se perde na memória dos tempos a data em a Humanidade se começou a dedicar a este tipo de coleccionismo. Do Mundo Antigo o mais célebre deles todos era a Biblioteca de Alexandria, que no seu início mais não era do que um depósito de artefactos de arte, de astronomia e de zoologia e botânica. Ao longo dos tempos o Homem foi um verdadeiro coleccionador do passado, diga-mos assim, com várias finalidades, diga-se em bom abono da verdade. Ou fosse para conversão de divisas em caso de necessidade, ou para serem objecto de culto, acumulação de riqueza, arte profana, público ou privado, ou para estudo científico, histórico ou simplesmente para exposição de arte, o certo é todas essas instituições, fossem elas bibliotecas, academias ou galerias, todas elas contribuíram sobremaneira para documentarem a evolução do Homem, da Humanidade e do nosso Planeta. Alguém me disse uma vez que nunca devemos esquecer o passado porque corremos o risco de o viver novamente. E foi animado pela curiosidade de descodificar todo este tipo de conhecimento da Humanidade que ao longo das minhas viagens visitei e visitámos vários museus espalhados pelo Mundo que nos foi dado ver. Não devemos parar de aprender porque o Mundo não para de nos ensinar. Hoje chegou a altura de os documentar.

“Os museus são casas que guardam e apresentam sonhos, sentimentos, pensamentos e intuições que ganham corpo através de imagens, cores, sons e formas. Os museus são pontes, portas e janelas que ligam e desligam mundos, tempos, culturas e pessoas diferentes. Os museus são conceitos e práticas em metamorfose.”

(Definição poética de Museu, do Instituto Brasileiro de Museus)

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ÍNDICE

  1. Museu da Cidade de Almada, Almada, Portugal.

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MUSEU DA CIDADE DE ALMADA. O Museu da Cidade de Almada está instalado na antiga Quinta dos Frades, precisamente na praça João Raimundo, na antiga freguesia da Cova da Piedade, cidade de Almada. A história da Quinta dos Frades remonta ao século XIV, mais concretamente 1378, mas só em 1997 é que a Câmara Municipal de Almada adquiriu a Quinta, ou o que restava dela, ao seu último proprietário para aí implementar o Museu da Cidade. Foi inaugurado ao público em geral em 1 de Novembro de 2003 e, segundo a edilidade almadense, é o local de excelência para guardar e preservar a história e as memórias da cidade e das gentes de Almada. Resta dizer que o Museu é da autoria dos arquitectos Victor Mestre e Sofia Aleixo, e conta com uma área de exposição estimada em 1300 m2 distribuída por três pisos. Neste espaço lúdico são homenageadas as pessoas, residentes e amigas, bem como as suas vivências e histórias de Almada e ainda as instituições que engrandecerem este município da margem sul do Tejo. Neste equipamento cultural podem ser visitadas exposições de longa duração sobre a cidade, bem como a sua evolução, e também exposições temporárias sobre temas relacionados com o território e a sua urbanidade.

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Tarde de 22-03-2017, Escultura Energia Urbana, Museu Cidade de Almada, Cova da Piedade, Almada.

Logo à entrada da exposição central está colocada uma instalação com 7 metros do escultor catalão Josep Bofill intitulada Energia Urbana. É uma obra de arte composta por 134 figuras humanas, nuas, trepando 67 barras de aço, e que no entender do escultor reflecte a maneira como ele vê o concelho. Depois, distribuídos pelos três pisos, estão fotografias, maquetas, e diversos equipamentos e objectos que nos narram a história de Almada desde os tempos da muçulmana Al-Madan até aos dias em que escrevo esta crónica. Todo este acervo evoca o modo de vida das gentes do concelho bem como o desenvolvimento da indústria e sector terciário. Todo o espólio do museu está dividido por freguesias e pelas freguesias que constituíam o concelho de Almada anteriormente às Leis de Novembro de 2012 e Janeiro de 2013 que introduziram a reorganização administrativa dos territórios das freguesias de Portugal. Eis alguns momentos da visita que me ficaram na memória e que divido pelas actuais 5 freguesias do concelho.

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Tarde de 22-03-2017, Foto do Pórtico Grua da Lisnave, Estaleiros da Lisnave na Margueira, Almada, Portugal.

Tarde de 22-03-2017, Foto aérea do Pórtico Grua da Lisnave, antes do seu encerramento no ano 2000, Estaleiros da Lisnave na Margueira, Almada, Portugal.

União das freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas: No 1º andar uma foto aérea dos estaleiros da Lisnave, na Margueira, mostrando como era o famoso pórtico (grua) vermelho do antigo Estaleiro da Margueira e a sua vida laboral. Um chafariz, pintado de verde, que outrora, em 1930, fora colocado no Pragal para abastecimento de água potável á população. Documentação e diversos artefactos e equipamentos, datados de 1957 e 1958 que nos mostram como foi o início da construção do Cristo-Rei. A História documentada do Farol de Cacilhas no início de 1910 e a vida fluvial no Tejo. Artigos de desporto do Almada Atlético Clube. União das freguesias de Caparica e Trafaria: Fotografias, aéreas, de como eram as praias da Trafaria no início do século XX. Fotos e artefactos do antigo Presídio Militar da Trafaria. União das freguesias de Charneca de Caparica e Sobreda: A história e a arquitectura do Solar dos Zagallos, também conhecido por Quinta dos Pianos, uma casa apalaçada construída no reinado de D. João II. O Pinhal D´El-Rey. Artefactos e instrumentos de precisão oriundos da fábrica de relógios Timex, desde 1970 a 1989.

Tarde de 22-03-2017, Foto cedida pelas Estradas de Portugal, ao Museu da Cidade de Almada, da via Rápida da Costa de Caparica no ano de 1968, Museu Cidade de Almada, Almada, Portugal.

Freguesia da Costa da Caparica: Uma foto, cedida pelas Estradas de Portugal, mostrando como era a via Rápida da Costa de Caparica no ano de 1968. Campo e mais campo, dois postos de abastecimento de combustível da Mobil e nem carros se viam no asfalto. Foto, do espólio Agro Ferreira, de como era efectuado o transporte de mercadorias pelas dunas da Costa de Caparica na década de 1920. Fotografias, aéreas, de como eram as praias da Costa da Caparica no início do século XX. Uma foto, da década de 1950, mostrando aguadeiros abastecendo-se de água no Chafariz do Poço da Bomba para posterior distribuição às populações.

Tarde de 22-03-2017, Chafariz para água potável, década de 1930, Museu Cidade de Almada, Cova da Piedade, Almada, Portugal.

União das freguesias de Laranjeiro e Feijó: Fotos e documentação da construção da Variante EN10 Cacilhas à Cova da Piedade, da década de 1950. Documentação histórica sobre o Arsenal do Alfeite, como importante empresa de construção e reparação naval, inaugurada em 1939, agregada à Base Naval de Lisboa. O espólio da arte da tanoaria. Por fim, mesmo ao lado da maqueta do concelho, uma exposição áudio visual que nos traz sons de tempos que já não voltam. Há limpeza regular e preservação preventiva contínua, dando a impressão ao visitante que o Museu abriu ao público no dia da sua visita. O Museu da Cidade respeita o sistema de segurança em museus e galerias de arte, pelo menos pelo quem eu pude observar. Equipamento fixo de combate a incêndios. Hidrantes, portas corta-fogo, sinalização, iluminação de emergência, sistemas de detecção de alarme e alerta, fazem parte do equipamento de protecção e segurança do edifício. Tinha uma boa ventilação e ar condicionado e o acervo exposto estava em muito bom estado de conservação. Curioso foi o facto de não ter reparado se tinha segurança privada. Não me lembro de ver fardas. Para chegar ao museu poderá fazê-lo de três maneiras, a partir da cidade de Almada. De autocarro através da empresa Transportes Sul do Tejo, paragem Cova da Piedade. De Metro de superfície, paragem Cova da Piedade. Ou de transportes privados, tendo para isso estacionamento da ECALMA no Parque do Museu da Cidade. Os custos dos bilhetes de ingresso ao museu são dos mais económicos que nós já encontrámos em todos os museus que visitámos pelo Mundo. São 0,60€ cada bilhete, com condições especiais para seniores, jovens e grupos. Para os residentes no concelho, como é o nosso caso, o custo são apenas 0,30€ cada bilhete. Deixo-vos aqui, também, os contactos do Museu de modo a facilitar e a tornar o mais agradável possível a vossa visita. Telefone, 212 734 030.

Tarde de 22-03-2017, Museu Cidade de Almada, Cova da Piedade, Almada, Portugal.

Endereço correio electronico, museu.cidade@cma.m-almada.pt. Website, http://www.m-almada.pt/portal/page/portal/MUSEUS. Por fim, à saída do Museu, não deixámos de visitar a exposição fotográfica criativa e de habilidade técnica IMAGINARTE ALMADA 2016-A ÁGUA AOS TEUS OLHOS. De forma a assinalar também o Dia Mundial da Água, a 22 de Março de 2017, os SMAS Almada em colaboração com o projecto ImaginArte Almada, tinham patente ao público uma exposição fotográfica baseada no concurso fotográfico de imagens, ideias e inspiração em torno do elemento central “a água” dos alunos dos estabelecimentos de ensino do Concelho. Ainda este ano, a partir de 08 de Abril de 2017, para assinalar o nascimento de Romeu Correia, o Museu da Cidade dá a conhecer o homem de causas ligadas ao associativismo, o desportista, o escritor, o ensaísta e dramaturgo numa exposição comemorativa. Museu da Cidade de Almada, 22 de Março de 2017, 15h30m, Dia Mundial da Água.

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1 Comentário

One thought on “MOUSEÎON.OU.

  1. ANA MARIA MARTINS MARQUES DOS SANTOS

    Muito bom e muito elucidativo. O mais curioso é que muitos habitantes do concelho de Almada não sabem sequer da existência do Museu da Cidade. Através deste apontamento, muitos com certeza vão ter curiosidade em descobrir.

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