SOMOS O QUE COMEMOS

 I.                   2014-03-05, 17h24m: “Que o vosso alimento seja o vosso primeiro medicamento”.

(Hipócrates, asclepíade e médico grego, pai da medicina moderna, Cós 460 A.C. – Tessália 377 A.C.)

Esta página tem o intuito de aproximar homens e mulheres através do estômago. Parece uma coisa estranha mas alguém me disse uma vez que a melhor maneira de cativar um homem era através do seu estômago. Não concordo totalmente. Estarei mais de acordo com a realidade que essa máxima se aplica a todos nós. Homens e mulheres, independentemente do seu credo, raça, sexo, religião, fervor clubístico ou cor politica, todos são passíveis de serem cativados pelo estômago. Também está atribuída a Hipócrates a célebre frase de que somos o que comemos. E é bem verdade. Eu, pessoalmente, estou a tentar criar esta página, no “meu / nosso” blogue, com o intuito de angariar nela o maior número possível de receitas gastronómicas de todo o Mundo.

19-12-2015, 13h 19m, IKEA Restaurant, Alfragide, Amadora, Portugal.

19-12-2015, 13h 19m, IKEA Restaurant, Alfragide, Amadora, Portugal.

O objectivo é tentar ajudar a melhorar a alimentação de todos nós nesta aldeia global que dá pelo nome de Planeta Terra. Vou tentar sempre que possível introduzir melhorias na mesma. Mas para isso preciso da vossa ajuda. Preciso da ajuda de todos vós para, em termos de alimentação, nos enviarem as vossas sugestões de modo a que o maior número de amigos e amigas, em todo o Mundo, tenha acesso a este tipo de informação. Todos vós e todos nós de certeza que conhecemos algumas receitas e segredos culinários dos tempos dos nossos pais e avós. Convido-vos a todos a nos enviarem os vossos segredos, dicas, truques, sobre como preparar os vossos melhores pratos gastronómicos e saudáveis. Por enquanto vou dividir por países o cardápio. Depois logo se vê se há melhor maneira de elencar este meu / nosso projecto. Assim sendo vou dar o exemplo.

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II.                   ÍNDICE

– 2014-03-05, 18h26m: Salada de frutas com sumo de laranja e malagueta. INDONÉSIA.

– 2014-03-05, 22h45m: Sopa doce de Guimarães. PORTUGAL.

– 2014-03-15, 18h34m: Bacalhau na broa. PORTUGAL.

– 2015-08-13, 14h22m: Laranja sobre a mesa. PORTUGAL.

– 2015-12-24, 13h00m: Meia de Lata à quarta-feira. PORTUGAL.

– 2016-07-15, 18h00m: Kebab. TURQUIA.

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III.                   2014-03-05, 18h26m: INDONÉSIA, Salada de frutas com sumo de laranja e malagueta.

Na Indonésia há uma sobremesa que é confeccionada com várias frutas, tipo salada de frutas, e depois é regada com sumo de laranja. Parece difícil? Não. Todos nós sabemos preparar uma salada de frutas. O adicionar de sumo de laranja também não me parece nada do outro Mundo. Agora o truque é adicionar a malagueta. Esquisito? Estranho? Picante? Não gostam? Calma. Retirem as sementes brancas da malagueta e o picante foi-se. Acreditem que o picante está nas sementes. Depois das malaguetas lavadas, duas são suficientes, tiram-se as sementes e cortam-se as malaguetas em rodelas fininhas. Por fim é polvilhar as taças da salada de frutas, com duas ou três rodelas e servir ao natural. A fruta é toda natural sempre que possível. Evitar as latas e as embalagens de fruta “já feita”. Têm muitos aditivos químicos para conservar a fruta. Temos de ter hábitos alimentares saudáveis. Mas se não houver outra maneira…que remédio. Sirvam em taças de vidro, como aquelas que se usam para os gelados, polvilhem com a malagueta e sirvam. Querem surpreender os convidados?  Digam-lhe só no fim o que são aquelas tirinhas pequeninas vermelhas. E acreditem que não são picantes. Já provei e gostei…e sim podem por açúcar. Seus gulosos.

E agora que tal serem vocês os “masterchefs” deste blogue e mandarem para cá as vossas receitas gastronómicas? Só assim será possível divulgar por todos nós os hábitos alimentares de todos nós…e não sejam tímidos. Não há certo nem errado. Não há bom nem mau. Não há doce nem amargo. Há gostos…e gostos não se discutem. Millor Fernandes dizia, á cerca de gostos gastronómicos, que gastronomia é comer olhando para o céu. O céu é o mesmo. Mas nem todos o vemos da mesma maneira. E todos estão certos…Lovel you all.

Post Scriptum: Os meus contactos estão na minha página ADN.

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IV.                   2014-03-05, 22h45m: PORTUGAL, Sopa doce de Guimarães.

Desculpe José Alberto, mas não consegui entrar  na página ALIAS e como tal não posso deixar na mesma as minhas receitas. Estou com tanta vontade de lhe dar a conhecer uma que há muitos anos  é confecionada na família no dia de Carnaval. Está fresquinha! Aqui vai…

Sopa seca, doce característico do Carnaval, típico da minha zona – Guimarães. Herdei-a da minha avó materna.

Penso, que esta receita era confecionada pelos pobres (não tinham dinheiro para comer cozido no dia de Carnaval), pois existe outra sopa seca  semelhante que é confecionada da mesma forma só que  utilizam a água de cozer as carnes do cozido do dia de Carnaval para cobrir o pão. Claro que a minha receita é bastante mais saudável, pois não tem gordura! Ingredientes:

Pão de Padronelo (pão escuro confecionado em Padronelo – Amarante)
Água adoçada a gosto  com mel e açúcar do amarelo; Canela em pó; casca de limão

Confeção: Colocar numa pingadeira  (recipiente de barro que vai ao forno e assim chamado na altura) uma camada de pão cortado em fatias. Polvilhar com  canela. Colocar duas ou três cascas de limão. Verter a água  doce por cima do pão de forma a este ficar bem embebido com o líquido. Polvilhar novamente com mais um pouco de canela e está pronto para levar ao forno. Deixar cozer até que o pão fique “corado”. Depois é só servir. Barato, fácil e delicioso! Cumprimentos, Maria Fernanda.

A receita desta maravilhosa sopa foi amavelmente cedida pela nossa amiga Maria Fernanda Pereira de Faria. Transcrevi na íntegra o texto que ela nos enviou. Não sei se virão mais receitas, truques ou dicas desta nossa amiga ou de outros amigos e amigas. Mas, nem que seja só colocada nesta página  esta receita que aqui partilho com todos vós, para mim a página já valeu a pena no blogue. Citando um escritor trácio da Grécia Antiga, de seu nome Esopo, um pedaço de pão comido em paz é melhor do que um banquete comido com ansiedade. Love you all.

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V.                   2014-03-15, 18h34m: PORTUGAL, Bacalhau na broa.

“Todos os homens se nutrem, mas poucos sabem distinguir os sabores”

(Confúcio, pensador e filósofo chinês, 551 A.C.- 479 A.C.)

Um pouco de história: Falando em termos gastronómicos a palavra DIETA é uma palavra que quase toda a gente no Mundo conhece mas que poucos sabem identificar o seu verdadeiro significado. Dieta é uma palavra grega, com base palavra diaita da Grécia Antiga, e por estranho que vos possa parecer, teve origem na devoção que os gregos da antiguidade nutriam pela musculação do corpo. Para uma boa cultura dos seus corpos musculados, desenvolveram os gregos várias receitas e menus alimentares que lhes conferiam massa muscular, de modo a poderem atingir o zénite da beleza física e mental em simultâneo. Os padrões de beleza, na Grécia Antiga, consistiam na máxima: corpo é são em mente sã. Todos sabemos que os gregos foram verdadeiros prodígios em matéria de filosofia. Não menos prodígios também o foram no campo da musculação do corpo. As Olimpíadas tiveram a sua origem na Grécia, por exemplo. Quem não se lembra dos corpos secos e musculados de Leónidas e dos seus bravos guerreiros na batalha das Termópilas, contra o Império Aqueménida liderado pelo rei persa Xerxes, no recente filme ” 300”?

Entre nós e mais recentemente, para melhor vos situar, aparece-nos a chamada Dieta Mediterrânica. A base da dieta mediterrânica assenta na trilogia: pão, vinho e azeite. Depois, como “prato principal”, o peixe em especial, e alguma, alguma, carne. Para mais informação: http://dietamediterranea.com

Exemplo da Dieta Mediterrânica: Bacalhau na Broa.

Ingredientes: Uma broa de milho; 1 posta de bacalhau demolhado; Grelos; Azeite; 1 Cebola; 3 Dentes de alho.

Preparação: Começar cortar uma tampa (disco) na boroa de milho e guardar. Com a ajuda de uma colher (eu faço-o com a colher do gelado), com cuidado, retirar todo o miolo da broa e reservar. Não esquecer que a carcaça deve ficar intacta. De seguida, desfiar a posta de bacalhau e reservar. Picar a cebola e o alho muito finamente, deitar numa frigideira, regar com uma boa quantidade de azeite e deixar cozer. Colocar nesta mistura o bacalhau desfiado, mexer e deixar cozer o bacalhau. Juntar os grelos (pode usar-se os frescos, cozidos e espremidos ou os congelados que já se encontram preparados) e envolver bem os ingredientes. Por fim, misturar a broa esfarelada nos restantes ingredientes, de forma que o miolo fique embebido de azeite e bem misturado com os outros ingredientes e se for necessário adicionar mais azeite. Retirar do lume. Entretanto, colocar esta mistura dentro da broa que deverá ser tapada com o disco que anteriormente cortou. Levar ao forno até que a broa fique bem quente. Costumo acompanhar com batatas a murro e claro com um bom vinho tinto maduro!Bom apetite!

Mais uma vez a delícia gastronómica que aqui partilhamos foi amavelmente cedida pela nossa amiga Maria Fernanda Pereira de Faria. Transcrevi na íntegra o texto que ela nos enviou. Com Gratidão, Love you  all.

(P.S. De repente estamos todos a falar de gastronomia, de história, de conhecimento, de cultura. E isto também não é viajar?)

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VI.                   2014-08-13, 14h22m: PORTUGAL, Laranja sobre a mesa.

Introdução: Todos nós sabemos o que é uma sobremesa. De frutas, de gelados ou de doces, a sobremesa é aquilo que vem depois e no fim da refeição. O Brasil foi dos países onde vi e provei das sobremesas mais, digamos, exóticas. Fiquei fã e hoje bateu a nostalgia. Inventei a minha sobremesa de hoje. Bateu-me “uma coisinha” e olha….Um dos meus ex-colegas, quando lhe perguntavam o que tinha sido o almoço ou o jantar, dizia que era sempre a mesma coisa: pescada cozida com cenoura cozida. Pois hoje decidi fazer “a pescada e a cenoura” de uma outra maneira.

Nome da receita: Laranja Sobre a Mesa (inventei agora e é original).

Ingredientes: 1 Laranja do Algarve. 4 Colheres de sopa de doce de Pera Portuguesa. 1 Colher de sobremesa com canela misturada com erva-doce. 1 Colher de sopa, cheia, com mistura de passas de uva branca com corintos. 1 Colher de sopa, cheia, de papaia desidratada cortada em pequeninos cubos.

Preparação: Fatiei a laranja inteira, em 5 rodelas, retirando-lhes previamente as extremidades. Esta laranja não tem caroços. Coloquei as 5 rodelas num pires. Por cima destas 5 rodelas de laranja distribuí irmãmente, por cada uma destas rodelas de laranja, 4 colheres de doce de Pera Portuguesa. A Pera Portuguesa é dos jardins da nossa casa. O doce foi feito pela minha mãe. Por cima polvilhei tudo aleatoriamente com canela e erva-doce com uma colher de sobremesa cheia como dose recomendada. Depois, por cima desta “travia”, espalhei manualmente uma porção q.b. de passas de uvas brancas e corintos. Dose recomendada? Uma colher de sopa bem cheia misturada de passas com corintos. Para finalizar a iguaria nada melhor do que um toque exótico: polvilhei por cima, espalhando manualmente, toda a iguaria com pequeninos cubos alaranjados de papaia desidratada. Visto estarmos no Verão, coloquei tudo 10 minutos no frigorífico antes de servir. Quando foi á mesa foi tudo trinchado de garfo e faca. Até o Amendoim, o meu cãozinho, tinha os olhinhos esbugalhados de gulosice enquanto eu manjava esta sobremesa.

Informação nutritiva: Escolhi como base desta sobremesa a fruta. Todos conhecemos os benefícios de comer fruta regularmente. A fruta dá-nos vitaminas, sais minerais, potássio, magnésio, fósforo e algumas dão-nos fibras o que lhes conferem um grande valor nutritivo. Neste caso a fruta base é a laranja, do Algarve que é muito rica em vitamina C. Depois, outra espécie de fruta, a Pera Portuguesa, mas em doce. Entre outras propriedades as Peras são boas para o sistema imunológico, ótimas na prevenção da osteoporose, são uma boa fruta para converter a nossa glicose em energia, tem vitaminas A, complexo B e C e ainda fibras que ajudam na prevenção e redução de riscos de contrairmos o cancro no cólon. Depois das frutas as especiarias. Canela. Uma das especiarias mais antigas do Mundo. A Canela, além das suas propriedades antioxidantes, é ainda, entre outras, um bom auxiliar no combate á diabetes tipo II, diminuição do colesterol, agente protetor contra doenças cardíacas, atua como tónico digestivo, anticoagulante e melhora a circulação do sangue. Mas tem um contra: não é aconselhada a sua ingestão a mulheres grávidas. Depois das frutas e das especiarias uma erva medicinal: a Erva-doce. A parte do fruto seco desta erva, também conhecida como Anis ou Funcho, é muito utilizada, entre outros, no combate á má digestão e artrite bem como indicada para fazer face às cólicas, gripes, tosses ou até palpitações. A Erva-doce também tem contraindicações. É contra indicado na gravidez e amamentação. Consumida em excesso pode causar vómitos e náuseas. Quase a acabar utilizei frutos secos: Passas. Utilizei de uvas brancas e corintos. São os melhores substitutos do açúcar, de chocolates ou doces para estas sobremesas. Estas passas de uva são boas para melhorar a saúde óssea, utilizadas na prevenção do cancro e, imaginem, estimula a sexualidade. É verdade. Pesquisem na net e comprovem. Último ingrediente: fruta desidratada. Papaia desidratada. Contém igualmente vitamina C e pequenas doses de cálcio e ferro. É por exemplo uma boa fonte de betacaroteno que ajuda a evitar lesões provocadas pelos radicais livres.

Foto, 10-08-2015 às 13h15m, Fotografia sobremesa “Laranja sobre a mesa”, Sobreda, Portugal.

Foto, 10-08-2015 às 13h15m, Fotografia sobremesa “Laranja sobre a mesa”, Sobreda, Portugal.

Informação útil. Deixo-vos alguns sites on-line onde melhor podem ver as propriedades dos ingredientes que aqui utilizei. Não tente fazer isto em casa, sem consultar primeiro o seu médico ou farmacêutico. Como eu disse, nem todos podemos comer os mesmos alimentos nas qualidades e quantidades que eu apresentei. O nosso corpo ou o nosso estado de saúde por vezes inibe-nos de comermos tudo aquilo que nos apetecia ou apetece. Deixe a gula de lado. Lembre-se sempre: não viva para comer, coma para viver. E siga este Ditado Popular Português: “Quem bem come e bebe, bem faz o que deve”

Web Grafia consultada:

a) http://www.remedio-caseiro.com/beneficios-e-propriedades-da-laranja/   (site consultado em 13-08-2015 ás 16h55)

b) http://www.mundoboaforma.com.br/calorias-da-pera-tipos-porcoes-dicas-e-receitas/    (site consultado em 13-08-2015 ás 17h55)

c) http://www.saudedica.com.br/os-8-beneficios-da-pera-para-saude/   (site consultado em 13-08-2015 ás 17h55)

d) http://www.beneficiosdacanela.com/tudo-sobre-a-canela/                  (site consultado em 13-08-2015 ás 18h18)

e)Http://www.tuasaude.com/erva-doce/                                                           (site consultado em 13-08-2015 ás 18h29)

f) http://www.saudedica.com.br/os-10-beneficios-da-uva-passa-para-saude/   (site consultado em 13-08-2015 ás 19h58)

g) http://www.protegeoqueebom.pt/2010/02/18/as-propriedades-dos-alimentos-papaia-e-coco/ (site consultado em 13-08-2015 ás 23h05)

“Quem não é para comer, também não é para trabalhar.”

(Provérbio popular português)

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 VII.                   2015-12-24, 13h00m, PORTUGAL, Meia de Lata à quarta-feira.

 

Introdução. Quando trabalhava em Lisboa era normal ao almoço ir comer ao restaurante perto do local de trabalho. Regra geral pedia sempre meia dose disto ou daquilo. Pratos variados, meia para cima, meia para baixo e lá se enganava a fome. Hoje, por motivo que não vem ao acaso, regra geral o dito “restaurante”, á hora de almoço, é lá em casa. Ao almoço e ao jantar. Dito de outra maneira: quantos de vós já não olharam para a refeição, lá em casa, e disseram para a vossa cara-metade: “Outra vez a mesma coisa?” E depois, célere, lá vinha a resposta: “Já não sei o que fazer para o comer. Olha, para a próxima vez faz tu”. Ainda me lembro de um ex-colega meu me confidenciar, quando as circunstâncias e os factos eram sempre os mesmos, me dizer: “Sempre pescada cozida ao almoço e ao jantar. Ao menos uma colher de maionese para o “gosto” ser diferente.” Pois foi a pensar na maneira de comer diferente, para não cair na rotina atrás mencionada e com o intuito de experimentar aromas e sabores pouco usuais, que me lembrei de fazer a minha refeição, diga-mos assim, mais atractiva ao meu gosto e ao meu paladar. Com as famosas latas de conservas. E chamei-lhe meia de lata com a alusão à meia dose e á lata da conserva. Meia de lata. E quarta-feira porque foi o dia da semana em que confeccionei a travia que a seguir vos desafio confeccionar e degustar. Atrevem-se? (A bebida para acompanhar deixo ao vosso gosto. Para mim é sempre chá verde, morno.)

Ingredientes: 2 Fatias, médias, de Pão Alentejano. 1 Lata de conserva de polvo e pota em molho de tomate. Meia lata de conserva de atum em óleo. 4 Metades de batata cozida. 1 Ovo cozido. Especiarias q.b. Passas de uva q.b. Azeite q.b. Meia laranja.

Preparação: Ponha em cima da mesa um prato raso simples, concavo, circular, e em porcelana branca. Coloque em cima do prato, ao centro, as duas fatias de Pão Alentejano. Deite, por cima das duas fatias do pão, o preparado da conserva de polvo e pota em molho de tomate. Espalhe todo o molho de tomate por cima das duas fatias de pão de modo a qua as mesmas fiquem todas cobertas pelo molho. De seguida esfarele o atum por cima do polvo e da pota. À volta do pão distribua, uniformemente pelo prato, as quatro metades de batata cozida. Corte o ovo em quatro partes iguais e disponha no prato entre os intervalos das batatas. Polvilhe todo o prato com a mistura das especiarias atrás mencionadas. Salpique depois com as passas de uva. Deite um fio de azeite, em zig-zag, por cima de todo o conduto. Termine, enfeitando o prato ao seu gosto, com as rodelas de laranja e sirva de imediato. Demorei para aí uns bons 10 minutos, ou menos, a preparar este meu almoço. Bom apetite. São servidos?

2015-12-24 12h50m59s_Meia de Lata á quarta-feira, Sobreda, Portugal.

2015-12-24 12h50m59s_Meia de Lata á quarta-feira, Sobreda, Portugal.

Benefícios, dos alimentos escolhidos, para a nossa saúde. Escolhi o Pão Alentejano por me recordar o pão que eu mais comia na minha infância e que é um marco da gastronomia portuguesa e ao mesmo tempo um traço indelével da identidade de uma região: o Alentejo. Escolhi o polvo, por ser um molusco marinho, sem esqueleto interno, fácil de mastigar e digerir e de baixo teor calórico. Tem, entre outros, uma boa fonte de ferro que nos ajuda a combater a fadiga, a fraqueza e a anemia. A pota, um cefalópode semelhante á lula, mas de tentáculos mais pequenos, eu escolhi também pelas mesmas razões. Molusco ideal para dietética, com um nível de gordura mínimo, a pota contém uma substância chamada taurina, aminoácido regulador da pressão sanguínea, redutor de coágulos nas veias sendo ainda um agente antioxidante. A sua gordura reduz os níveis de colesterol no sangue. Em molho de tomate porquê? Porque agrega sabor e aroma contribuindo para a textura de alguns alimentos. Alem de o tomate ser rico em vitamina A e vitamina C ainda tem, entre outros, cálcio e ferro. Mas o grande destaque do tomate vai para o licopeno, um carotenoide de importante ação anti oxidante. O atum é uma espécie de peixe que contém ácidos graxos ômega-3 responsáveis por uma longa lista de benefícios cardiovasculares. Entre outros diga-se de passagem que ao nível cardiovascular estes ácidos contribuem para a prevenção de ritmos cardíacos irregulares, reduzindo os riscos de arritmia e por conseguinte reduz as probabilidades da morte súbita. As batatas, vegetal da família das Solanum, são ricas em carboidratos e amido. Entre outros, devido a ter vitamina C, por exemplo, é boa para a saúde da nossa pele devido a ser um retardador natural da sua oxidação. Devido também a conter kukoamines é boa para combater a pressão arterial alta. Vocês sabiam que um ovo por dia pode prevenir a degeneração ocular devido ao conteúdo de carotenoides, especialmente a luteína e a zeaxantina? E que um ovo contém todos os nove aminoácidos essenciais? E que pode prevenir, entre outros, o cancro da mama? E muito mais haveria por dizer. Á nossa disposição havia estragão, a salsa, o tomilho, cominhos e orégãos. As especiarias, prevenientes de plantas de lugares tropicais, enriquecem o sabor dos alimentos, e animam o paladar das pessoas. É bom para dar gosto “á coisa” e são um bom substituto do sal. Foi o que usei. As passas de uva são uma boa alternativa aos doces e, entre outras propriedades contêm catequina para a prevenção do cancro do cólon bem como boas propriedades para estimular a sexualidade. (ok, podem rir!). O azeite é um alimento rico em gordura monoinsaturada, ótimo para reduzir no nosso organismo o LDL, ou seja, o mau colesterol. Além de todos nós sabermos que a laranja também é uma boa fonte de vitamina C, poucos sabem que a laranja, por ser rica em fibras, é um ótimo regulador da flora intestina se consumido regularmente.

Conclusão: Nem todos nós podemos comer os mesmos alimentos, bem como as mesmas qualidades e respectivas quantidades. O que para uns faz bem á saúde para os outros pode ser muito, mas mesmo muito prejudicial. Não somos todos iguais, acreditem, no que toca á ingestão dos alimentos, tanto sólidos como líquidos. Há que ter em linha de conta que este prato que preparei pode não ser o mais indicado para quem tenha problemas de saúde gástrico ou intestinais. Há pessoas que não são tolerantes aos ovos e ao leite por exemplo. Outros haverá ainda que não podem comer pão. Os benefícios dos alimentos usados na confecção deste prato foram retirados de pesquisa por mim efectuada na Internet. Aconselho pois a fazerem o vosso próprio prato, de acordo com as vossas limitações de saúde. É caso para dizer, em relação a esta Meia de Lata: Don’t try this at home, ou seja, não tentem fazer isto em casa. Love you all.

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 VIII.                   2016-07-15, 18h00m, TURQUIA, Kebab.

Döner Kebab

Döner Kebab

Kebab. Origens. Pelas mais variadíssimas razões uma larga maioria de todos nós já de certeza que ouviu falar a palavra Kebab. Ouso dizer até que essa mesma maioria já degustou um belo acepipe de Kebab. Para os menos atentos será conveniente dizer que quando falamos de Kebab estamos a falar de gastronomia e mais especificamente numa delícia Oriental no que ao método de comer e cozinhar carne diz respeito. Mas, muito resumidamente, vamos aos factos originários de tal acepipe. Primeiro que tudo: Kebab, é uma palavra com origem árabe ou persa, melhor dizendo. Significa “carne frita”. É uma refeição muito comum na Turquia, onde se pensa que o inicial Kebab nasceu, também muito usual na Grécia, na costa Mediterrânica Africana, e em alguns países com uma forte componente migratória turca. Não é de espantar que aos dias que vos escrevo esta crónica haja os mais variadíssimos Kebabs turcos na Alemanha, na França, ou até mesmo na nossa lusa pátria, em Portugal. Segundo: de um modo geral a confeção de um Kebab consiste em espetadas com várias camadas de carnes, entremeadas com legumes ou vegetais, e que vão a grelhar num forno ou num braseiro. Sendo originário de um país muçulmano logo a carne, ou as carnes, nunca são de porco. A mais usual é o cordeiro. Além de ser a rês mais usual para consumo humano nos países árabes, ou muçulmanos, países áridos e com poucas pastagens e onde o consumo de carne de porco é proibido de acordo com alei islâmica, também é usual usar carne de vaca, de borrego e ainda de frango.

Kebab, Gyros.

Kebab, Gyros.

Depende um pouco das características do país onde o Kebab é confecionado. Pode ser servido com pão ou num prato. A carne é marinada com vários temperos várias horas antes de ir ao lume. Os temperos que hoje são usados nos Kebabs têm origem nos mais variados países das mais variadíssimas latitudes: desde o Norte de África á Índia, passando ainda pela Europa até á Ásia. Inicialmente chamada apenas de Kebab também esta iguaria foi sofrendo metamorfoses no seu nome de acordo com o país onde a mesma era consumida. Döner kebab na Turquia e na Alemanha. Shawarma, nos países de língua oficial árabe. Gyros , na Grécia. Ou ainda  Shish Kebab no Irão. Há até quem defenda que a forma atual do Kebab nasceu no século XIX na cidade de Bursa, Turquia, batizado de İskender kebap, adotando o nome do seu criador İskender Efendi. Ískender traduzido para o idioma de Camões é Alexandre. A carne frita do Alexandre, sim. O nosso Kebab pode ser assado num forno ou num braseiro. Na Alemanha é assado num espeto vertical giratório. Döner kebab que dizer isso mesmo: carne frita num espeto giratório. Depois de assada, a carne, pode ser servida num prato, com acompanhamentos, regra geral são saladas, ou dentro de um pão tipo sandes, chamado pão pita turco. Também com vários molhos e acompanhamentos. E para não vos maçar mais com a lengalenga da origem do Kebab eis-nos chegados á mesa de repasto, salvo seja. Estão prontos para confecionarem, de preferência lá em casa, um Kabab? Vamos lá.

Shish Kebab.

Shish Kebab.

Kebab. Receita. Carne. Eu escolhi carnes brancas para o nosso Kebab: peru e frango. Rico em Ómega 3 e Ómega 6, bem como ácidos graxos, para o bom funcionamento do nosso organismo. O molho para marinar a carne é, diga-mos assim, inventado á toa por mim, aqui e agora. Mas resulta. Picar alho, pôr azeite, espremer sumo de limão, sal, mostarda, pimentão em pó, cebola e algumas especiarias ao vosso gosto. Uma espécie de refugado mas sem ir ao lume. Adicionar um pouco de água. Há quem misture com vinho tinto ou branco. Uma espécie de vinha de alhos. Mas malta, nos países com uma forte componente muçulmana o consumo do álcool não é aconselhável, por vezes até proibido. Portanto lá em casa fica ao vosso gosto. Misturar tudo até ficar bem ligado. Nunca experimentei ligar tudo com uma varinha mágica, mas um dia vou ver se resulta. Cortar a carne de modo a que fique em cubos para as espetadas. Meter a carne e o molho numa saladeira a marinar três horas no frigorífico. Pelo menos foi assim que li e ouvi que se faz. Depois á que preparar o fogareiro. Sim meus bons amigos, utilizar um fogareiro, para quem possa, é o mais indicado. Carvão a arder. Tirar o marinado do frigorífico. Enfiar a carne em pauzinhos de madeira para espetadas, intercalando com rodelas de cebola, pimentos e pepinos. Os pauzinhos para as espetadas já há á venda nos supermercados. Nada de ir até ao mato cortar canas e arbustos para a espetada.

Salada. Enquanto a carne assa vá pincelando levemente a carne com a calda do marinado. Há parte faça uma saladinha para acompanhar o Kebab. Cebola, tomate, pimentos, pepinos, alface, salsa, coentros, repolho ou couve roxa, são os mais indicados. O tradicional de uma salada portuguesa. O tomate é cortado em pequeninos cubos. Os legumes e vegetais são cortados ou migados tipo caldo verde. Tempere a salada ao seu gosto, com azeite, sal, ou sumo de limão por exemplo, e deixe “descansar uns minutos”.

Molho para temperar. Comemos vários e diferentes Kebabs aquando da nossa passagem pela Turquia em 2007. Mas escolhi sempre o molho de iogurte para temperar tanto as carnes como as saldas. Já ouvir e li muitas receitas de molho de iogurte. Mas querem fazer um molho de iogurte “á maneira” e á nossa maneira? Vamos lá. Arranjar um pepino pequeno e tirar a casca toda ao pepino. Cortar pacientemente em cubinhos que mal se vejam. Ao pepino juntar uma embalagem pequena de iogurte natural. Se quiserem sofisticação misturem um iogurte grego. Também dá. Nada de iogurtes de sabores. Tanto o grego como o natural são isso mesmo: natural. Umas pedrinhas de sal grosso e uma dose generosa de azeite em fio. Se quiserem que o molho fique desenjoativo adicionem gotas de limão. Nada de vinagres que só “estraga” a coisa. Mexer muito bem com a varinha mágica até ficar cremoso. Colocar numa taça para servir. Hortelã. Sim. Adicionar umas folhas de hortelã, por cima, quando for a servir. Eu acho que acompanho quase toda a minha comida com hortelã. Nas sopas é de comer e chora por mais.

Kebab, Shawarma.

Kebab, Shawarma.

Pão pita: Não vos vou ensinar a fazer pão pita, meus bons amigos viajantes. Nos supermercados, por 2 a 3 euros compra-se uma embalagem com 6 pães tipo pita e poupam tempo e dinheiro. Acreditem.

Servir. Depois de assada a carne, (convém não deixar esturricar a carne), colocar as espetadas num prato. Retirar a carne. Abrir um pão pita ao meio. Colocar a carne numa das fatias. Colocar generosamente 3 colheres, de sopa, com salada por cima da carne. Por cima da carne e da salada colocar 2 colheres, de sopa, com o nosso molho de iogurte, por cima de tudo. Colocar a outra fatia do pão pita por cima. E deliciem-se com a receita do meu Kebab que eu acabei agorinha mesmo de criar. Kebab Ao Sabor do Vento parece-vos bem?

P.S. Para “empurrar” o Kebab para baixo, o que não é difícil, eu, o chef do Kebab recomendo uma “botelha” de Cidra, vinho de maçã sem álcool, bem fria, servida em copos de cerveja, em vidro bem fininho. Até vocês ganham uma “corzinha”.

Sobreda, 22 de Julho de 2016.

Travel it’s what i make.

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11 comentários

11 thoughts on “SOMOS O QUE COMEMOS

  1. Maria Fernanda Faria

    Boa noite. Há muito tempo que procurava uma página de partilha de saberes e sabores!. Concordo, claro que não totalmente que a melhor maneira de cativar um homem é através do seu estômago, Gosto bastante de cativar o meu homem, os meus filhos e claro os meus amigos com os meus cozinhados. Procuro receitas, invento outras e todos parecem gostar dos meus repastos! .Acabei de enviar (pelo mail que recebi para seguir a página), uma receita que herdei da minha avó, sopa seca, que ontem confecionei e postei no meu facebook para os meus amigos conhecerem e “saborearem”. é tradicional da minha zona, Guimarães, e servida na altura do Carnaval!
    Maria Fernanda

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    • Bom dia amiga Fernanda. Muito obrigado pela amabilidade das suas palavras. E nunca é demais agradecer também a sua generosidade gastronómica. Afinal de contas também se pode dizer que a comer nos entendemos. Pode enviar a sua receita para os meus contactos que estão na página ALIAS deste nosso blogue. Lá está, entre outras, o meu e-mail de contacto. Posso depois publicar a sua receita e colocar no fim da mesma o seu nome como autora da mesma? Devemos dar sempre os “louros” a quem os merece, no seu caso a minha amiga. Obrigado.

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  2. Clara Amorim

    Ui, a Fernanda é uma verdadeira enciclopédia gastronómica!!! 🙂

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  3. José Ramalho

    Olá primo José Alberto
    Malagueta… eu sei que tu gostas da comida apimentada, quero dizer, picante, eu nem por isso. “Somos o que comemos” é uma verdade absoluta para uns, para outros, nem tanto. Para mim aplica-se que nem uma luva, gastronomia é um dos meus “hobbis”.
    Quanto aos Gregos, viam na alimentação um meio para endurecer os homens para a guerra, nos períodos de paz, também reconheciam o deleite da boa mesa. Os banquetes gregos faziam-se em dois tempos, primeiro comia-se, depois bebia-se.
    Um grande abraço

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  4. Clara Amorim

    Fernanda, que tanto que aprendemos contigo! 🙂

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  5. Eu estava a escrever o texto e estava a “salivar”…….imaginem agora a degustar esta iguaria “ao vivo e a cores”..ui…ui

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  6. Caro José Alberto, concordo plenamente consigo de que “somos o que comemos”. Por isso é que hoje vemos a maior parte dos jovens obesos, mesmo crianças pequenas. Comemos toda a porcaria para que os meios de comunicação – ao mando das grandes companhias como Monsanto – nos aliciam. E como a educação é o “inimigo” destas grandes companhias e dos políticos que se governam por seu intermédio, claro que a ignorância é grande e segue-se quem “manda”. E queles que se informam e resistem são raros.

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  7. Ana Santos

    Não é difícil fazer receitas novas e diferentes. Se verificarmos o que temos disponível em casa e se começarmos a pouco e pouco a juntar alguns desses ingredientes, vamos ter com certeza um resultado surpreendente. E nem precisamos muitas das vezes utilizar o fogão nem sujar muita louça.
    Vamos experimentar…

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